言霊- Kototama e o Poder da Palavra

Confusão, corrupção, ganância… Irritação geral, não se consegue ler notícia que nos transmita Paz, os tempos atuais me remetem a buscas que andei fazendo no passado. Relendo meus apontamentos de meditação e de algumas teorias que estudei, revisitei o conceito do KOTOTAMA.

E o que seria Kototama?

Bom, já vi diferentes grafias para a palavra – kototama, kotodama, kotodhama

Etimologicamente surge das palavras japonesas koto, significando “palavra” e tama, significando “espírito”. Assim, kototama, numa tradução literal, significa “o espírito das palavras”. É um dos conceitos – fundamento na Mitologia Japonesa e em algumas Artes Marciais.

Em kanji, alfabeto japonês, cada ideograma representa uma ideia completa, fica mais fácil para eles entenderem o kototama. Para nós, que usamos o alfabeto latino não é tão simples aceitar a magia das palavras e aí eu vou usar um trecho do meu livro “220 Volts de Absurda Emoção”, em que a protagonista, uma escritora, assim se manifesta sobre sua relação com as palavras:

… às gentes que, como eu, lidam com as palavras, dispensando a cada uma de suas letras o carinho e a atenção necessários, no triste engano que as palavras detém vida própria. No triste engano que estamos acompanhados por elas, as palavras, entes que no momento seguinte podem se revelar frios e inconsistentes, antônimos de si mesmos, à simples companhia de um não.

Embora eu não tenha a menor obrigação de criar personagens que pensem como eu, e, aliás, o desafio está exatamente em criar o oposto, neste caso concordo.

E tenho então, que admitir que o conceito kototama não se aplica aos idiomas de origem latina, porque a meu ver, em nosso caso o “ideograma”não é apenas gramatical, o significado da palavra pode ser efêmero, pode variar até por um modismo. Muito tempo atrás “irado” significava enraivecido. Pouco tempo atrás, significava bacana.

Mas o conceito milenar se aplica aos mantras, também aos “kiai”, que são espécie de grito que impulsiona o movimento corporal e sim, acredite, aumenta a amplitude e a flexibilidade de quem grita.

Acho que desses sons “espirituais” o mais conhecido é o OM, que, dizem os entendidos, sai das profundezas do ser, sendo o som do Infinito e a origem de todos os mantras. Aos mantras, os sons sagrados da tradição budista, atribuem o poder de atrair boas vibrações. O fato é que são sons milenares que combinados, fazem o efeito vibratório de empoderamento, por assim dizer, já que atraem bons fluidos.

Todos os livros sagrados atribuem valor à palavra. A Biblia, por exemplo, diz: “As palavras são tão poderosas que às vezes é melhor usar o silêncio”.

Voltando aos dias que vivemos e para confirmar minha crença em alguns conceitos como o kototama, resolvi que usarei ao máximo o meu silêncio para não baixar meu padrão vibratório com tanta baixaria que se vê por aqui.

E aí, utilizo uma frase de outro trabalho meu – ainda não publicado:

O Silêncio pode ser o maior barulho do mundo.

 

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