A “Azulzinha”

Planet-Earth-seen-from-spaceÀ medida que o tempo vai passando, a maioria das pessoas — homens e mulheres — vai se disponibilizando mais para a reflexão.

Acabada a época da paixão fácil, em que julgamos que o desejo pode mover montanhas, resta-nos entender o papel que o desejo teve, tem, e ainda terá em nossas vidas, desejo de qualquer tipo, dos que nos arrebatam para ir ao encontro de sonhos, dos que nos arruínam em sua insensatez, dos que nos levam ao paraíso.

E é de paraíso que quero falar, em todos os sentidos —no real e no metafórico.

Para início de conversa, é impossível existir um paraíso sem construção. Sim, paraísos são construídos de alguma forma, não se fazem sozinhos, são lugares de prazer.

Até mesmo a palavra “paraíso”, por si mesma, já é meio afrodisíaca, nos leva à ideia de êxtase. Afrodisíaca: de acordo com a etimologia, vem de Afrodite, a correspondente à Vênus romana na mitologia grega. Deusinha mais liberada essa… Poderosa, lhe atribuem um exército de amantes:  Hermes, Adônis (que, dizem, foi o seu preferido), Dioniso e outros mais. Por sua beleza e fascínio, ficou o registro de ser a deusa do amor e da fertilidade. Não por acaso, pois uma das versões para sua origem ou nascimento, diz que, quando Cronos destronou Urano, cortou-lhe os órgãos sexuais, que, caindo no mar, deram origem a Afrodite.

Com um nascimento desses, tinha mesmo que ter essa fama toda, não acham? E a ligação entre a origem de Afrodite e o mito que ela constitui não é nenhuma coincidência. Examinando o nome dos seus filhos — Eros, Hermafrodite, Príapo e Hímen —, fica bem clara a conotação sexual que a envolve. Ora, sabemos nós que a busca do prazer sexual é eterna na história do ser humano, que a busca da potência sexual foi uma preocupação dos humanos ao longo dos tempos, e alvo de crendices, de poções mágicas, curandeirismo e charlatanice.

Há alimentos considerados afrodisíacos, como chocolate, e temperos, como pimenta, gengibre, alecrim, cravo e canela, aos quais se atribui propriedades nutrientes que estimulam a produção de hormônios sexuais e melhoram a libido.

Muita loucura se fez em busca da potencia sexual neste mundo de meu Deus, e existem diferenças nas culturas ocidental e oriental. Enquanto os ocidentais partem para a academia de ginástica, os orientais praticam o tantra e a yoga, para ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo, melhorando assim, o desempenho sexual.

“Você é o que você come”: isso vale para todos. Na abordagem ocidental, o que você come de “bom” se transforma em saúde, e o corpo absorve os elementos da comida, como carboidratos, proteína, açúcares e gorduras. Já na cultura oriental, ao ingerir um alimento, assume-se as suas propriedades energéticas, donde tanta comida exótica e “pozinhos mágicos”, desde insetos aos provenientes de sêmen de bode e do chifre de rinoceronte, o que quase causou a extinção do pobre paquiderme, não tivesse o mundo protestado e acabado com a farra. Os europeus gostaram da ideia, e descobriram que a mosca espanhola, ou cantárida — um besouro verde metálico —, quando secada ao sol vira um desses pozinhos milagrosos.

Comer ostras, dizem, garante uma performance digna de Afrodite, porque, sendo rica em zinco, ajuda na espermatogênese e contribui para a formação de testosterona.

E aí vem a grande novidade no decorrer dos tempos: enquanto, em outras eras, apenas o homem buscava artifícios, beberagens e remédios, nos dias de hoje existem estudos que apontam ser a testosterona um grande, digamos, incentivador da libido nas mulheres.

Pois é. Por isso mesmo eu recomendo que, se o seu tesão para a vida estiver meio fraquinho, pare, respire fundo, e pense na Azulzinha…

Como? Ih, você entendeu tudo errado, eu estou falando é da “Azulzinha” onde todos vivemos, e que, se dermos oportunidade, abre portas impensáveis. A Azulzinha que surpreendeu o Armstrong, lembra? Ele mesmo, o astronauta, que perdeu a fala quando viu a Terra sob outro ângulo e, gaguejando, disse: “A Terra é azul!”

Pois é nela que devemos nos inspirar, é nela que devemos pensar, é para ela que devemos dirigir nossos pensamentos num momento tão grave como o que vivemos, de homens-bomba, de guerras infindas, um mundo de homens armados, e não no sentido metafórico.

Nessa “Azulzinha” é que deveríamos construir o nosso paraíso, com a certeza de que nossa potência não vem de beberagens ou pozinhos, mas do nosso desejo, do nosso cérebro, dos nossos pensamentos. Aí está o grande poder.

Vamos pensar na “Azulzinha”, que ela está bem precisada de nós.

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