A Casa Comum

daisymar1Muito impressionante esta imagem: ao fundo, o Museu do Futuro, e à frente, a sujeira monumental. Tentei tirar da cabeça seu sentido metafórico ou meio profético. Seria a sujeira o que o futuro nos reserva?

Não posso acreditar nisso. Parece-me que não só o povo brasileiro, mas o povo do mundo inteiro vive atualmente um momento histórico, em que clama por LIMPEZA. Mas, dirá você, a limpeza não se faz sozinha…

Exato, temos todos nós que sair limpando — limpando sujeiras de tudo quanto é espécie, não só a sujeira que se faz contra a natureza que, coitada, exaurida em seus recursos, perdeu a paciência e comanda “malfeitos” de todos os tipos: enchentes, deslizamentos, fazendo frio onde antes era calor, ordenando um calor sufocante onde nem tão quente era. Desmandos da natureza ou desmandos do homem? A resposta é tão óbvia que nem vou responder.

Só que essa espécie de limpeza nenhum detergente, por mais eficaz seja, vai conseguir efetuar. A limpeza tem que necessariamente passar pela consciência de cada um de nós.

Isso.

Ecologia.

Esgotos de prédios e condomínios, onde eu e você moramos, despejados sem piedade de qualquer jeito, no lugar mais próximo e “econômico”; lixo que se joga em qualquer lugar, todo tipo de lixo que as pessoas não querem em suas casas, aí despejam na Casa Comum. Só que a Casa Comum é, como o nome indica, a mesma para todos nós que a habitamos. Nosso planeta é nossa Casa Comum.

Um dia, eu estava num museu e guardei na bolsa um pacote vazio de biscoito para jogá-lo mais tarde em lugar apropriado, já que não tinha nenhuma lixeira à vista. E, pasmem, fui alvo de olhares que pareciam dizer: “Que porcaria, a mulher guarda lixo na bolsa”. De tão acostumados a ver lixo sendo despejado ao léu, asseguro que não passou pela cabeça daquelas pessoas o provável destino que eu daria, mais tarde, ao pacote vazio.

Pois bem, nossa consciência tem que ir mais longe. Tem que perceber todas as outras sujeiras, e aí se trata de Ecologia Humana, trata-se de respeito à cidadania, aos direitos individuais e coletivos.

Continuo sendo uma otimista, com fé na vida e nas pessoas de bem. Nos dias de hoje temos recursos para fazer nossos protestos, nossas reivindicações, vamos lembrar a Primavera Árabe e o movimento que desencadeou. De lá pra cá, foi um cai-cai de ditadores, tantas denúncias de corrupção, me parece que bem mais explícitas do que havia antes. Antes do poder da internet.

Tenho muita esperança de que o tempo dos cínicos, que se negam a dar ao povo a satisfação e o respeito que merecemos, vai acabar. O tempo dos governos corruptos ou omissos diante da corrupção está findando.

Chega de sujeira, sujeira dos esgotos ou das mentes que usam o poder para desviar, sem a menor consciência, recursos que poderiam estar patrocinando uma vida mais digna aos que precisam de assistência pública. Dizem que às vezes o feitiço vira contra o feiticeiro, pois vamos apostar nisso.

Cada um que faça a sua parte, limpando o “seu quintal”, para que a Casa Comum não seja destruída por tanta sujeira.

 

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