A marca das mulheres

Alt-Rafaela-Silva-gana-la-primera-medalla-de-oro-para-Brasil-en-los-Juegos-de-Río-2016-EFE-EPAConfesso que eu não fazia muita fé no efeito desses Jogos Olímpicos do Rio. Não acreditei que a organização fosse satisfatória, que as obras não estariam terminadas, enfim, sucumbi a toda sorte de pessimismo que, aliás, eu via muitas pessoas manifestarem.

Que engano! Logo na abertura, que show! Inesquecível, lindo, completamente diferente de todos os que vi até agora: de sensibilidade única, beleza sem par, plasticamente irrepreensível, bom gosto, artisticamente Nota 10.

A cidade está energizada, bonita, as pessoas passam ao nosso lado sorrindo. Parece que se apropriaram de toda a energia olímpica.

Por outro lado, vemos se repetirem as mesmas lamúrias de sempre, dos que não conseguem mostrar, no seu desempenho, o porquê de tanta fama e prestígio. Sim, estou falando do nosso time de futebol. Hoje assisti, perplexa, ao treinador da equipe declarar que “Temos que assimilar as críticas e mudar”.

Mudar quando, cara pálida? Quando a competição acabar? Quanto tempo vai se passar para que percebam que, especialmente no esporte, não se pode ficar dormindo em cima dos louros, ainda mais na competição que nasceu na Grécia?

Mas o povo está vendo, está sacando. E homenageia a raça dos que reagem à dor e à dificuldade com coragem e brio. E aí, nós temos que destacar as mulheres.

Vejam só o nosso time de vôlei feminino, bicampeão olímpico e mostrando o porquê deste bicampeonato; as ginastas, a cada dia mostrando sua evolução, as moças do handebol, dando o troco ao time da Romênia, que desclassificou o time brasileiro na última olimpíada; o time de futebol feminino, com a melhor jogadora do mundo, Marta, se desfazendo em suor, mas mostrando toda a sua técnica e sua garra. Este time, ao contrário do time masculino, não treme diante do adversário, não fica destrambelhado e se esquece de mostrar o que sabe fazer, a tal ponto que se ouvia claramente a torcida pedir ao treinador no jogo do futebol masculino: “Põe a Marta, põe a Marta…” Foi incrível isso.

Outra que marcou nesta olimpíada, pela ousadia, foi uma esgrimista representando os Estados Unidos, Ibitihaj Muhammad, que se apresentou com o hijab, véu muçulmano que esconde os cabelos. Mulher valente essa… em tempos de terrorismo e preconceitos, apresentar-se deste modo!

Agora, quero mesmo destacar é a Rafaela Silva, menina da Cidade de Deus, aquele bairro pobre do rio, menina que foi desclassificada na Olimpíada de Londres e sofreu uma campanha acirrada, discriminatória, preconceituosa, com mensagens tão agressivas… Rafaela entrou em profunda depressão, mas deu a volta por cima e sua foto está aí na crônica, para quem quiser ver.

Isso aí, Rafaela, morde mesmo, morde esta medalha, porque no passado já te morderam por causa dela.

 

2 comentários

  • Marina disse:

    Não poderia estar mais orgulhosa de você por esse texto. Demonstrou exatamente o meu ponto de vista, sobre os assuntos abordados. Meus parabéns as mulheres que continuam representando e crescendo cada dia mais na sociedade!

    • Daisy Lucas disse:

      Minha linda, netinha tão querida. Você é, com toda certeza, uma dessas representantes do sexo deminino que deixam sua marca – o que me enche de orgulho. Bj

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