Amor de Mãe

Amor de mãe é como o ar. É tão normal que você nem nota… Até o fornecimento ser cortado”.

(Pam Brown)

Encontrei esta frase num livro que pertenceu à minha mãe.

Estava sublinhada como fazemos quando queremos ressaltar alguma coisa num texto. Seria uma verdade, um absurdo, uma obviedade…, o que teria pensado minha mãe ao sublinhar aquela frase?

Conhecendo-a como imagino que a conhecia – inteligente, precisa em suas opiniões, crítica, de uma fina ironia – tenho quase a certeza de que ela, se perguntada, diria : “Isso é aquilo sobre o qual não resta a menor dúvida”. Esta era uma frase que a ouvíamos dizer constantemente, com um meio sorriso nos lábios.

Pessoa energizada era ela. Daquelas que, diante de um problema chegava junto, sem muito blablablá, sem maiores considerações. Simplesmente chegava, como se estivesse tudo igual ao que era antes do tal problema aparecer. Sem elucubrações outras, fazia com que a vida continuasse a acontecer “apesar de…”

Poderosa, aos setenta e muitos anos, montou num jetsky e saiu numa tal velocidade que assustou o rapaz que ia à garupa como garantia da segurança do “cliente” de primeira vez. Claro, estava numa daquelas praias cearenses que amava.

Politizada, de uns anos para cá me pedia que escrevesse e-mails a políticos, jornalistas, pessoas formadoras de opinião, e mandava suas repreensões, ou elogios, e vibrava quando conseguia respostas.

Amanhã completará seis dias em que começou seu novo ciclo de existência…

Quando e se lhe derem permissão, certamente vai sair detonando tudo o que julgar improcedente, ou mal feito, ou errado. Sem muitas palavras e sem blablablá, com seu meio sorriso e a certeza de que a frase que um dia sublinhou no livrinho, era a mais perfeita verdade, porque lá do alto vai perceber a falta que nos faz.

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