Amor é coisa pra gente valente!

desencontroDiante do relato sofrido de uma amiga, sinto uma grande tristeza. Mais uma vez, a queixa é o fim de um amor. Fazer o quê, a não ser lamentar?

Para exorcizar minha percepção de que em nada posso ajudar, recorro a você, meu interlocutor mudo, pacientemente a suportar os batuques desajeitados, os catamilhos que te faço no lombo.

A primeira pergunta que me vem a cabeça é: “Será que um amor acaba?”

Acho que sim, mas somente para aqueles que nunca viveram um amor verdadeiro, em que cada dia é de descoberta, de criação de novos carinhos, de um desejo cada vez maior de compartilharem os amantes cada minuto de sua vida, com entrega, com uma sinceridade quase brutal, em que não cabem meias palavras. E as metáforas nunca são bem recebidas, porque desnecessárias e menores que a palavra sã, clara, mesmo que, por vezes, necessariamente cruel.

Sei que não é dada a muitos a oportunidade de construir o amor verdadeiro, ou, quem sabe, poucos percebam a oportunidade de viver o amor verdadeiro, ou nele acreditem.

Vejo, com muita frequência, que as pessoas preferem fixar-se em coisas menores, e até compreendo a razão de poucos terem a coragem e ousadia necessárias à construção do grande amor. É mais fácil fugir da história do que encarar todos os desafios que se seguem à percepção da chegada do verdadeiro amor.

O Amor não é para os impacientes. O Amor é tarefa para uma vida inteira. Os que não aceitam isso ficam a discutir tanta pequenez, a produzir tanta insensatez… Pois que sigam se desamando, que sigam se destruindo, que sigam se insuportando, já que não percebem que desse jeito acabam por matar a única hipótese de descobrir sua dimensão divina, destroem a única hipótese de se perceberem maiores, em sua pobre condição humana.

Se eu pudesse, um dia, fazer algum pedido ao Universo, pediria que somente promovesse encontros entre pessoas de autêntica sensibilidade; que criasse, mesmo em guetos, a possibilidade do Amor; que desencontrasse os que não sabem amar e os que usam o amor apenas como símbolo, usam palavras bonitas, gestos ensaiados, só mesmo para dominar, maltratar, e, depois, sair fugindo, como só os covardes sabem.

O Amor é para quem encara olho no olho e diz o que precisa ser dito… amor é coisa pra gente valente!

 

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