As sugar babies e seus daddies

seeking-arrangementJá faz algum tempo eu tinha lido em revistas estrangeiras matérias sobre as “sugar babies”. Vocês já devem saber do que se trata, mas, para alguém que por acaso não saiba, lá vai.

Sugar babies são estudantes universitárias do sexo feminino que buscam um parceiro num site de relacionamento, que será o seu sugar daddy.

Perfil? Ah, alguém deve estar pensando em inteligência, beleza, senso de humor. Nada disso. O critério é o bolso. Bolso recheado, é isso aí. As mocinhas querem pagar seu curso universitário e procuram um patrocinador.

Muito bem, eu pensei “que coisa mais esdrúxula, para não dizer que…”. E fiquei feliz que tal coisa não acontecesse por aqui. Só que eu soube por matéria da Veja que temos um site brasileiro, desde novembro passado.

O que acontece nesse site? Simples. A mesma coisa que acontece há mais tempo nos Estados Unidos (soube depois que também existe no Reino Unido).

O tal site faz a apologia do relacionamento que promove, como sendo um relacionamento sincero, no qual ninguém é enganado. E ensina como se tornar um sugar daddy , enumerando os “seis passos para se tornar um sugar daddy”:

 

1- Honestidade é a melhor política;

2- Mantenha-se ativo;

3- Mantenha a Classe;

4- Respeite para ser respeitado;

5- Tudo se trata de conexão; e termina afirmando que

6-  Relacionamentos são possíveis.

 

Encontrei na internet (Jornal Dia a Dia, de 3 de março) um artigo de Ray Santos informando que o site, inaugurado em novembro de 2015, tem 19 mil universitárias inscritas. Diz até que universidade tem mais estudantes inscritas no site.

Transcrevo alguns trechos da matéria escrita por Ray:

De todas as meninas que participam do site, 59% são estudantes universitárias com média de idade de 23 anos. Durante a pesquisa, elas disseram preferir homens maduros, de sucesso, com uma vida mais estável e experiência suficiente para guiá-las pelo melhor caminho profissional, como um mentor. Os Sugar Daddies ajudam a elevar o patamar social de suas Sugar Babies, apresentando novos meios, contatos e financiando seus estudos.

O cenário negativo na economia do Brasil nos últimos anos tem mostrado uma desaceleração no número de jovens matriculados em instituições de ensino superior. Segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), o aumento anual era de cerca de 4,3% até o último censo (realizado em 2015), que registrou 3,8%.

Com a inflação e queda do poder aquisitivo do brasileiro, o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) teve redução de quase metade dos contratos, e o ProUni (Programa Universidade para Todos) reduziu em 4% a oferta de bolsas parciais e integrais. É nesse cenário que opções menos convencionais, como os Sugar Daddies, começam a mostrar uma luz no fim do túnel.

Em seguida vem uma pergunta de Jenifer Lobo, CEO do site: “Por que competir por bolsas cada vez mais raras, se você pode encontrar um homem maduro e generoso que pague a faculdade e ainda construa um relacionamento saudável?”

Bom, escrevo esta crônica no Dia Internacional da Mulher. Quando você estiver lendo, será o dia seguinte. E penso no incêndio que matou mais de cem pessoas na fábrica Triangle Shirtwaist, em sua maioria mulheres, que pediam equiparação salarial aos homens. E penso nas mulheres que, ainda hoje, precisam provar e comprovar que são tão competentes quanto os homens para não serem olhadas apenas como uma carinha bonita.

E lembro-me da música “Pagu”, da Rita Lee: ‘“Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda…”

Não quero fazer juízo de valor, cada pessoa sabe do que precisa, do que é capaz, até onde vai sua coragem, sua força e seu espírito de luta, mas talvez o que essas moças não saibam é que esse tipo de relacionamento tem um preço!

Enfim, tenho que citar Einstein: “O único lugar onde o sucesso vem antes de trabalho é no dicionário”!

Ele deve estar se revirando no túmulo, porque agora esse lugar pode ser um site de relacionamento… Fazer o quê?

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