CHEGUEI!

Cheguei chegando e bagunçando a coisa toda… 

Que nada, a “coisa” já estava bagunçada e acho até que no retorno da minha viagem eu já encontrei alguma ordem na desordem que campeia em nosso país desde algum tempo.

No dia seguinte ao que cheguei, ouvi o presidente de uma Associação de Caminhoneiros dizer que a negociação estava encerrada, e que a reivindicação tinha sido atendida, o Diesel não seria mais aumentado a cada dia. Nos dias seguintes, o presidente da Petrobrás pede pra sair. E continua o Governo a escarafunchar o Orçamento para descobrir de onde vai tirar o “preju”. Sim, porque segundo eles e, aliás, também ouvi alguns experts no assunto, esta prática de aumentos diários é normal, comum em outros países do mundo.

Tá…, legal. Muito legal mesmo. Mas eu só não entendo porque nesse escarafunchar os governantes não se lembram de diminuir as vantagens (que são tantas) desta multidão de políticos que vivem nababescamente à nossa custa.

Será mesmo necessário que as verbas parlamentares sejam tão altas? E que os Gabinetes de deputados, senadores e até mesmo dos estaduais sejam contemplados com tanto dinheiro? É isto que lhes dá representatividade? Em tempos de Internet precisam toda semana estar pertinho de seus eleitores, a lhes dizer no ouvido os tantos projetos que encaminharam na semana anterior?

Não acredito, e, aliás, uma mudança que para mim poderia ser feita é acabar com essa ideia de que política é profissão. Não deveria. O político deveria ser um serviço, servir deveria ser a palavra-chave desta atividade e, acabado o seu mandato, voltaria para a profissão, ou ocupação anterior.

Mas isto não acontece, e por quê? Ah, porque chegando lá, no Clube dos Privilégios, as alianças são tantas e a cumplicidade é tamanha que o sujeito nunca mais larga o osso…, ou melhor dizendo, o filé. E ainda vira um business de família. Como fazendeiros do espaço público, criam currais eleitorais aonde vão criando os seus “boys”…, passam votos de pai para filhos, sobrinhos, netos e assemelhados. Voto vira herança.

Em que profissão acontece isto? Mesmo naquelas que têm sua clientela anos a fio, se entra no business um novo elemento sem competência, ele dança. Ninguém vai a um médico só porque o pai do cidadão era o médico da família, ninguém contrata um advogado incompetente só porque o pai dele, ou o avô era um bom profissional, ninguém chama um pedreiro só porque o pai dele fez uma obra bem sucedida em sua casa. Se quem chega não mostra a que veio, lamentamos, e contratamos outro.

Mas na política não. Talvez não eu ou você, mas muitas pessoas do nosso povo votam em alguém pelas razões mais absurdas, bizarras até. Já ouvi falar “votei nele porque ele é amigo do meu amigo”, “porque é bonitão”, e por aí vai.

Quando morei no interior de São Paulo eu vi coisas do arco da velha (please, jovens, sei que este termo é datado; significa inacreditável) .

Gente, eu vi. Vi pessoas votarem em alguém que lhes deu metade de um cheque com a promessa de que a outra metade seria entregue depois da eleição. Isto aconteceu com um rapaz que prestava serviço a um amigo nosso. E o tal rapaz não era nenhum bicho do mato, tinha o curso fundamental, sabia ler e escrever. Quando me contaram pensei ser uma piada, mas constatei ser verdade, assim, como tomei conhecimento de outras “benesses” que eram prometidas, do tipo “vou te dar uma dentadura”.

Bom, mas isso foi no outro século, acho.

Será?

Não sei, só sei que canto porque “Quem canta, seus males espanta”.

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