Comendo com os olhos

daisyjul1A princípio não tive a menor vontade de aceitar o convite.  Experiência sensorial culinária? Hummmm…

Fui sem muita expectativa. Já conhecia o chef de um quadro que ele fazia na TV e que se chamava “Cozinha Mágica”, e confesso que não me entusiasmou a ideia de tanta química na cozinha. Sou quase natureba, não gosto sequer de congelados, quanto mais… Em todo caso, fui. Jamais deixaria de aceitar um convite da pessoa que me convidou. Por educação? Sim, por educação, por querer estar junto num momento muito especial, enfim, por uma série de razões. Só não estava na lista a vontade de comer a tal “comida mágica”.

No primeiro momento, o maitre explica como será a experiência. Você escolhe quantos pratos deseja, 4 ou 5, 7, me parece, se somados aperitivos, principais e sobremesa. Mas escolhe apenas o número de pratos, sem saber o que virá. Antes de servir, perguntam se no menu existe algo que não gosta de comer, ou se tem alguma alergia. Veja bem, os pratos do menu são apresentados, mas não se sabe quais serão servidos.

Olhem, fica até divertido. A expectativa é divertida, um frisson, será que vou gostar, nossa, olha que estranho o que estão servindo naquela mesa, o que será aquilo? E se eu não gostar, será que trocam o prato?

Pois bem, de cara, meu queixo caiu com a beleza, a estética daqueles aperitivos. Duvido que alguém não goste de qualquer um daqueles pratos… o chef banca porque sabe que pode bancar.

Depois, uma enorme gama de produtos nacionais, cupuaçu, umbu, tapioca, sei lá mais o quê.

E a sobremesa… aí que veio o show, a pirotecnia, o talento. E a ousadia.

Depois da experiência, a reflexão. Eu, por puro preconceito e formalismo, já havia “tachado” a tal comida de “espetaculosa”. Mas me surpreendi com a inovação. Claro, eu sabia que comer não é somente um ato fisiológico de manutenção; mesmo assim, comer obras de arte como aquelas foi uma experiência e tanto.

Mas aí veio a notícia triste… segundo ouvi, o Oro está fechando neste final de semana.  Mais um notável que abandona o Rio de Janeiro, esta cidade tão maravilhosa e tão ingrata com empreendedores.

Fotografei e postei no dia seguinte, para divulgar a experiência e lamentar o fechamento de um restaurante tão bacana. Aqui no Singles, entretanto, copiei uma foto do site do restaurante, em sinal de respeito. Lembrei-me de matéria lida algum dia, informando que, curiosamente, mas perfeitamente aceitável, alguns restaurantes importantes de Nova York, Paris e Sidney estão solicitando aos clientes que não façam fotos dos pratos, para não gerar imagens mal iluminadas, mal focadas, que poderiam prejudicar o próprio restaurante. E, esta é melhor ainda, existe um restaurante australiano que fornece equipamento e iluminação para que os clientes possam tirar fotos adequadas de uma mesa especialmente montada para as fotos.

Afinal, a gente começa a comer é com os olhos…

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