Em nome de Freud

einstein-fingerO mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.

Sigmund Freud

 

“Atingir a dignidade deveria ser o primeiro objetivo da Ciência”: como eu, alguém deve ter lido isso algum dia. Mas, como atingir (palavras, oh, palavras dúbias, torpes, vãs…) como atingir tem outro sentido, certamente alguém se perdeu no significado e entendeu que atingir seria alcançar alguém, ou algo, com mísseis, torpedos, coisas assim.

Depois que vira guerra, é só atirar; só torpes ações de lado a lado. Na ânsia de se fazer armadilhas, passam todos a serem caça; alguém já disse, todos são vencidos, cada lado ficando mais imbecil e inumano, porque se fixam não em razões sólidas e válidas, mas apenas na busca da melhor cilada.

Mas, para o ser humano que tem dignidade e que pode utilizar o diálogo, característica que o diferencia dos outros animais, a guerra é o jogo preferido dos que sabem que serão vencidos no embate pela palavra.

Amigos? Desconhece-se. Vira guerra, vira guerra… Em campo minado, flores não sobrevivem. Ficam murchas, sem cor. Olham pra cima e não conseguem ver o sol sequer; só enxergam sua sombra.

O excesso e a repetição de estímulos podem obter algum sucesso quando se pretende treinar miquinhos de circo, ou cachorrinhos que cantam, elefantes que dançam. Já com gente… com gente… É diferente, ou deveria ser. Gente saturada de estímulos intermitentemente repetidos, em um ponto se fecha, nega, negando registros da mesma natureza que lhe são espontâneos, vitais, importantes. A lobotomia, concordemos, pode se dar de muitas formas, como, se dá hoje no Brasil, por exemplo.

A presidente e seus aliados apenas repetem a palavra “golpe”, e tanto repetiram que o termo já foi incorporado por seus militantes, aqueles que não sabem discutir, e podem apenas repetir, repetir, repetir. Ora, esse argumento não se sustenta, se forem comprovadas as mentiras que tiveram por objetivo apenas uma reeleição, mentiras estas que ficaram evidentes no primeiro ano de mandato, e depois pela amplitude da corrupção demonstrada pela Operação Lava-Jato, na qual empresários confessaram como eram obrigados a participar do processo de corrupção, para que pudessem participar das obras promovidas pelo governo que, sabemos nós, é o grande patrão, num país com uma configuração econômica e política como a nossa.

Dizem o governo e seus aliados “que sempre foi assim”. Ora, se eles se dizem as melhores almas deste país, os paladinos da verdade, os defensores da república, por que não se manifestaram à época, por que não fizeram o que está sendo feito agora?

As imensas filas à porta de hospitais, as perdas salariais, o desemprego, os aumentos de combustível e de energia elétrica, aumentos que foram “segurados” durante a campanha para eleição presidencial para enganar o povo, fazendo com que acreditassem que a economia estava sob controle.

Pedaladas? Ora. É como se eu fosse guardiã do dinheiro de vocês, meus amigos, e saísse o distribuindo a esmo para garantir meus interesses, e ficasse o tempo todo lhes afirmando que o dinheiro estava em poupança. Um dia, a bomba estoura, os bancos começam a cobrar os juros da conta em aberto. Além de não haver mais dinheiro, estaríamos devendo ao banco uma grana firme. Simples assim.

Mas não pensem os que usam esse argumento tosco que atingirão apenas os políticos (apesar de muitos deles estarem tremendo de medo, imagino, depois das revelações da Lava-Jato de que existem cerca de 200 políticos envolvidos), sem atingir os membros do Supremo Tribunal Federal, as pessoas que pensam, mesmo aquelas que “nasceram analfabetas” como explicou o ex-presidente Lula a simplicidade de sua mãe. Este fato, senhor, não justifica seu palavreado chulo, suas intenções maquiavélicas de interferir na ação de ministros, não justifica o desrespeito nem as agressões verbais à mais alta Corte de Justiça de nosso país.

O povo brasileiro quer provas, quer argumentos comprováveis, não o uso de bordões e palavras de ordem que incitam à violência, como fez um aliado do governo, dentro do próprio palácio presidencial e na presença da presidente. Não vivemos das benesses de programas de governo. Mesmo os que vivem do Bolsa Família recebem em dinheiro o que o governo deveria ofertar em OPORTUNIDADES de emprego, de trabalho. Aliás, do jeito que a inflação está, não dá para comprar nem a cesta básica, visto que a cenoura, por exemplo, custa R$7 o quilo, e a ervilha R$30 — está sendo chamada de “filé mignon de pobre”.

Podemos e devemos cobrar, sim: honestidade e decência, não só do governo, mas também dos políticos que encostam seus umbigos no balcão de negócios, urrando por um cargo para votar com a situação.

NÓS NÃO TEMOS O RABO PRESO!

 

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