Escrevendo. Meu processo é…

Acabei de publicar meu mais novo livro, 220 VOLTS DE ABSURDA EMOÇÃO.

Ah, livrinho danado que consumiu meu tempo (exatos cinco meses) e minha emoção, porque – tal como Gilda Sobreira, escritora, que é personagem principal desta obra, quando estou escrevendo um livro eu:

“ Crio ficção; olho a vida no olho; vejo a vida pela janela do mundo; me conecto com a vida fora de mim mesma para criar; me dispo dos meus conceitos, dos meus preconceitos, esqueço o que sei e relembro até o que não sei, para escrever. Quando escrevo encontro alternativas para os meus próprios pensamentos, digo coisas que não diria, penso o que jamais pensaria, admito o meu não, nego o meu sim.”

Como Gilda, tento me distanciar das rotinas da minha vida …

“Quando estou produzindo, escrevendo, fico meio lunática. Não vejo, não como, não falo. Se vir, talvez esteja vendo errado, se comer talvez coma demais, se falar, talvez falhe e diga coisas vãs, ou cretinas, ou óbvias, porque provavelmente vai haver uma ruptura entre o que penso e o que digo, já que o pensamento estará grávido, barriga pesada que se arrasta e me arrasta com ela, que me tira o ar, que me chuta o estômago, que me adoça a boca e que me acarinha o ventre. Toda a energia do pensamento está alocada em parir novas gentes, nova história. O raciocínio fica lento para a vida, para o concreto, porque está funcionando em outra sintonia.”

​Fico ainda mais ausente de mim mesma se estou escrevendo o Amor​, como o de Gilda e Victorio, ainda mais depois da emoção que ela sentiu ao encontrá-lo pela primeira vez….

“Minhas pernas ficaram bambas ao sentir a textura das suas mãos, temperatura de um calor febril, em nítido contraste com seus gestos medidos e a palavra pensada. Ao toque de suas mãos eu tive a sensação de que aquele homem estava se revelando para mim e a sensação de descoberta se ampliou numa amplitude inimaginável, gerando uma sensação tão completa, intensa e profunda, emoção desmedida, que me deu a certeza de que eu o conhecera antes, sempre, e para sempre.
Foi bom estarmos em um lugar público, me deu a condição de certo controle, embora descontrolados ficassem todos – todos – os meus sinais vitais: pulso, temperatura, batimentos cardíacos, e a intensa sensação de que a vida acabaria ali, naquele instante, ou, quem sabe, estaria eu tendo a sensação não do desmaio da morte, mas a do renascimento, com toda a revolução e emoção que um nascimento pudesse provocar.
O toque de suas mãos e o ferver do sangue a martelar minhas veias decretando falência total em minha razão, e completamente desarrazoado ficando o meu olhar que não conseguia fixar imagem alguma, a não ser aqueles cabelos castanhos negros e desgrenhados de homem das cavernas​”​.

Daisy Lucas
Dezembro de 2016

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