Eu quero ter um milhão de amigos…

amigosDia 20 de julho, Dia Internacional da Amizade.

Especialmente nos dias de hoje, é sempre bom lembrar que temos amigos. Aliás, ter amigos é sempre ótimo — em tempos ruins e em tempos bons. Mas discordo de quem diz que “ter amigos é uma dádiva”.

Para mim, amizade não é um presente, é uma construção. Amizades que se mantêm apesar de falta de respeito, desconsideração e omissão, não merecem este nome.

“Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves”? Sim, é. Mas que estas chaves não sejam outras que não a reciprocidade, a admiração mútua, a persistência. Sim, a amizade verdadeira detém o atributo da resiliência — ela supera pressões, se adapta a novas circunstâncias, lida com problemas. Afinal, estamos falando de seres humanos — mutáveis seres que não precisam ser o tempo inteiro a mesma coisa,  seres que têm opiniões diferentes das nossas e que podem até mudar eventualmente de opinião.

Geralmente, pessoas que não mudam… Conhecem aquele tipo “nasci assim e vou morrer assim”?  Ah, geralmente essas pessoas são umas malas — carregadas de passado, e não há quem goste de carregar mala pesada.

A amizade é cordial, é democrática, excelente exercício de democracia.

Muito me espanta às vezes quando vejo pessoas que encerram amizades antigas, só porque as opiniões não coincidem. Uns tempinhos atrás, quando a Lava-Jato deu início aos trabalhos, assisti com muito espanto pessoas desfazerem amizades porque eram contra (ou a favor) da operação.

Quer dizer: se pensa como eu, é pessoa amiga, se pensa diferente é inimiga? Por favor…  A humanidade já viu esse filme, e o resultado que a História registrou foi intolerância a opções, racismo, guerras.

Vamos viver nossas amizades com generosidade, vamos aprender na diversidade, vamos respeitar o pensamento do outro. Quantas vezes alguém já lhe disse alguma coisa, diferente das suas convicções, na qual você nunca havia pensado antes? E que te fez refletir e sentir-se uma pessoa melhor?

Sócrates elegeu como princípio uma orientação escrita no frontal do Templo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”.

Aí está, no meu entender, a grande chave que abre todas as portas, de todos os portais: quando você se conhece, domina o seu mais primitivo desejo, identifica os seus erros, os seus acertos e adquire a competência para mudar sua relação com as outras pessoas e com o mundo. Simples assim…

Simples assim? Não, nada simples, porque é claro que, inconscientemente, gostaríamos que todos fossem como nós: não haveria discussões, talvez fosse menos trabalhoso estabelecer relacionamentos.

Mas… isso seria um tédio. As oportunidades de aprender seriam poucas, e o mundo seria de uma só cor. Quer coisa mais entediante e pequena? Infelizmente, vemos isto com frequência: filhos têm que pensar igual a seus pais, mulheres igual a seus maridos, maridos igual a suas mulheres, amigos “obrigados” a pensar como seus amigos. Caso contrário, vira ofensa. As pessoas esquecem que da divergência pode nascer a sabedoria, e que amigos, quando divergem, muitas vezes estão nos apontando fatos para os quais temos ‘pontos cegos”, que não conseguimos ver e que, geralmente, são armadilhas do nosso próprio inconsciente.

A mídia social, especialmente o Facebook, vulgarizou o conceito de amizade — todo mundo é amigo. Nada disso, são apenas conhecidos, O que não é ruim, ao contrário, é muito bom termos muitos conhecidos, ouvir conceitos e ideias diferentes, conhecer novas formas de pensar, mas amigo… É OUTRA COISA.

A canção diz “Eu quero ter um milhão de amigos”. Pois eu, não. Quero ter amigos em quantidade suficiente para que eu possa cuidar da amizade, procurar, abraçar, me interessar pelo que ocorre em sua vida, ajudar quando necessário. E amar. Eu não teria tantos braços e tanto tempo para dedicar a um milhão de amigos, mas para os meus amigos tenho todo o tempo do mundo e um estoque infinito de abraços.

Feliz Dia do Amigo, a todos os que têm, realmente têm amigos. E que sabe reconhecê-los no meio da multidão de conhecidos.

 

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