Férias!

Há muito tempo eu não curtia umas férias tão… férias. Bom, não sou propriamente uma workaholic, mas devo confessar que quando estou escrevendo algum texto, seja ele qual for, às vezes a trama me pega e fico como a protagonista do meu romance mais recente:

Quando estou produzindo, escrevendo, fico meio lunática. Não vejo, não como, não falo. Se vir, talvez esteja vendo errado, se comer talvez coma demais, se falar, talvez falhe e diga coisas vãs, ou cretinas, ou óbvias, porque provavelmente vai haver uma ruptura entre o que penso e o que digo, já que o pensamento estará grávido, barriga pesada que se arrasta e me arrasta com ela, que me tira o ar, que me chuta o estômago, que me adoça a boca e que me acarinha o ventre. Toda a energia do pensamento está alocada em parir novas gentes, nova história.

O raciocínio fica lento para a vida, para o concreto, porque está funcionando em outra sintonia.

Ah, meus amigos, mas nessas férias eu estava livre. Livre de novo romance, livre de compromissos, em plena lua de mel. Esperem aí, não me entendam mal — eu estava em lua de mel comigo mesma, vivendo o meu próprio romance, sem outro compromisso a não ser com o meu prazer. E como é bom viver-se o prazer sem tempo marcado, sem hora para acabar, cuidando para não perder voo, ou ônibus, ou trem, olhando um checklist pra ver se não esqueceu aquela coisa, uma coisa qualquer, que quando você está em casa não tem a menor importância, mas que se torna “insubstituível” quando você está longe das suas gavetas.

Claro que sempre há prazer nas minhas férias, eu sou da Alegria. Embora seja complicado afirmar isto hoje, eu insisto: sou otimista. Sim, quem se declara otimista em nossos tempos de hoje fica meio que fazendo o papel de idiota para alguns… Como estar otimista diante de tanta barbárie, guerras absurdas, roubos mil?

Eu respondo a essas pessoas: ora, tire umas férias, e se renove, pegue uma estrada e ande pelo campo sem hora de voltar, vá pra night e dance, abra o coração para novas amizades, quem sabe até para um novo amor, viva a liberdade no seu sentido mais amplo.

Diga “Fui…, não sei para onde, nem sei quando volto”.

Eu fiz isto e, acredite: É ótimo!

Foto: artemontagem da autora

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