Grace? Sei lá…

GraceNo nosso imaginário tupiniquim (nem sei se é só no nosso), chegar a ser uma princesa seria o sonho de maior incidência entre as jovens.

Bom, penso eu que esse “sonho” já caiu de maduro. As princesas de hoje são até arroladas em processo quando o marido é dito corrupto, como aconteceu na Espanha. Agora, se a jovem inteligente assistir ao filme sobre Grace Kelly, vai ter certeza de que não perde nada sendo princesa apenas no Carnaval.

O filme é super bem produzido, cenário magnífico (Mônaco é sempre um espetáculo à parte), e o roteiro, que deveria valorizar o papel relevante que Grace desempenhou na crise entre Rainier e De Gaulle, acaba mesmo é por mostrar como a princesa era infeliz. Talvez as gerações mais novas não saibam, mas ela renunciou a uma carreira de sucesso em Hollywood, com direito a Oscar e tudo mais, por um reinado. Sim, por um reinado, porque, vendo o filme, fica evidente que não foi por um amor.

A pobre sofreu, e como sofreu. Nunca deixou de ser vista como estrangeira, como se fosse uma mulher fútil que só se interessaria por eventos, bailes e assemelhados.

O príncipe baniu do reinado todos os seus filmes, a trairagem campeando. A própria cunhada seria uma das que trairiam, e a princesa desconfiando de tudo e de todos.

Até que surge a grande crise entre Mônaco e a França, com De Gaulle ameaçando retomar o reino. A crise consistia no fato de que o presidente francês não se conformava com a evasão de divisas para Mônaco, já que no principado havia isenção de impostos. Então, passou a forçar Rainier de todas as maneiras a aceitar a revisão do tratado que assegurava ao Principado esse direito.

Bom, a versão do filme é que a própria Grace bolou a solução para a crise, promovendo um baile para doar fundos à Cruz Vermelha e convidando chefes de Estado de tudo quanto é lugar do mundo. Claro que De Gaulle ficou numa saia justa terrível e viu-se forçado a aceitar o convite da “deusa” que, nesse instante, se impôs diante do povo não mais como estrangeira, mas como sua soberana. E o governo francês não teve alternativa a não ser “esquecer” o assunto.

Tanta perspicácia não combina com o resto da história. Mas… vá lá! Como diz minha neta Marina, “Isso é filme, vovó”.

Agora, pesquisando fotos para ilustrar esta crônica, me deparo com a princesa rezando, com uma carinha de que sabia que o conto não era bem de fadas. Talvez ela intuísse que o conto estava mais pra disgrace do que pra Grace.

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