Grande Vinicius

japasNão poderia haver momento mais adequado para se denominar um país “Pátria Educadora”.

A expectativa de vida aumentando progressivamente (já nutro até a recôndita esperança de me tornar imortal ou, no mínimo, de viver até uns cento e pouco…), a Ciência e a Tecnologia avançando num galope jamais visto, a internet deixando tudo (e todo mundo) junto e misturado, a confusão imperando, porque não se sabe mais o que é informação e o que é lixo…

Só me resta admitir… Governinho bom de marketing, acertou na mosca!

Então, vejamos.

Dando tratos à bola (aí, jovens, isto quer dizer “pensando”, só isso… pensando), lembrei-me do tempo em que estive no Japão. Mais ou menos nesta época as empresas estão recepcionando seus novos empregados, pois o período letivo se encerra no mês de março. Técnicos e pessoal graduado se apresentam entre março e maio e dá gosto de se ver. Para nós é surreal.

Sim, sem espanto… O primeiro dia de trabalho é surreal. É o dia do “batismo empresarial”, que se dá no auditório da empresa, na presença do seu presidente e de praticamente todo o corpo gerencial, e de representantes sindicais. É um acontecimento.

Por quê? Ora, simples: para mostrar aos novos que são bem-vindos, que aquilo ali é um compromisso, “não é brinquedo, não…”, que existe uma expectativa em relação ao seu desempenho.

Para quê? Ora, simples: para que conheçam seus novos companheiros de trabalho, para que se contagiem com seu entusiasmo, para que saibam o que vão ter que fazer nos próximos meses, para conhecerem o sistema de treinamento rotativo, em que percebem onde suas tarefas se encaixam na missão da empresa. Em muitas empresas, nessa ocasião, conhecem quem será seu Senpai (mentor).

Em outros tempos, os próprios pais da criança (oh, perdão, do empregado) entregavam pessoalmente o filho nas mãos do presidente da empresa. Quanta importância, hein? Isso é EDUCAÇÃO, né?

Pois bem, ali, teoricamente, seria o final de sua vida acadêmica, mas o empregado continua seu aprendizado. Lá o ensino é obrigatório até os 15 anos, mas 90% das pessoas terminam o ensino médio e 40% terminam a universidade.

E aqui? Quem se lembra como se deu o primeiro dia de trabalho?

Bom, claro que, por questões culturais, a última coisa que eu gostaria nessa ocasião é que meus pais me levassem pela mão e… mas em alguma coisa poderíamos imitar o exemplo dos olhinhos pequenos, já que temos os olhos tããão grandes.

Só que não… por aqui, o IBGE informou que em 2008, apesar da obrigatoriedade legal de estudo até os 14 anos, cerca de 15 milhões de pessoas a partir dos 10 anos de idade eram analfabetas.

Aí você pode dizer, “Também, a Daisy pegou pesado, vai comparar logo com o Japão…”

Pois vamos lá. Partiu pra Tonga! Isso mesmo, aquele país lá da Oceania, que o Vinicius escolheu para os seus versos… Tonga! Em Tonga, apenas 0,8% do povo é de analfabetos.

“Mas nós somos o 84º IDH do mundo”, você poderia argumentar.

E eu respondo. Realmente. E Tonga é o… 90º. Só que lá a expectativa de vida geral é de 74,5 anos, e aqui no Brasil é de 72, 6.

Indo pra Tonga, já começamos ganhando uns dois aninhos de vantagem…

Fui!

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