House of Cards Tupiniquim

Para quem não conhece, a série House of Cards demonstra com o se dá o jogo dos podres poderes para chegar e “guardar lugar” na Casa Branca.

Ficção? Dizem que sim.

Vi a série emendando dia e noite, quase compulsivamente, porque realmente é uma produção bem feita, com excelentes desempenhos, direção irretocável, enredo inacreditável. Bom, inacreditável se considerasse que não seria crível tudo aquilo acontecer. Quando vi a série, faz bom tempo, eu não teria a ingenuidade de imaginar que muitos dos fatos ali descritos fossem apenas fictícios, nem digo na política dos USA, que não conheço em detalhes, minha referência era mesmo a política do nosso Brasil varonil.

Gente, é muita podridão junta, muita jogada de moleque, numa absoluta falta de pudor, que faz da presidência da república um espaço para cometimento de tudo quanto é crime, dos mais sutis aos mais selvagens. Tudo aquilo virou filme infantil à vista do que está acontecendo por aqui.

Pois é… O Tempo (ai, tempo, tempo, como você é esclarecedor) me mostra que a série é coisa de principiante. É, porque os “profissas” daqui de nossa terra dão um banho de veracidade a muitos dos episódios da série.

Pior: na ficção, as coisas acontecem no segredo, aqui acontece ao vivo e a cores.

Por exemplo, um recebe sítios, apartamentos, tem amigos tão bonzinhos que garantem uma vida de luxo e conforto e ainda diz na maior cara de pau que se tem dinheiro é porque dava palestras pelo mundo afora. Onde estão os registros dessas palestras todas, fotos, notícias em jornais locais, quaisquer provas que pudessem confirmar que os tais nove milhões são resultantes de apresentações públicas?

O outro, recebe na calada da noite um empresário que usa nome falso, sem registro de entrada, num cantinho escuro do palácio, o cujo grava uma conversa em que o presidente admite que é importante manter a calma de algumas pessoas potenciais delatores, e nós sabemos a que custo.

Ah, mas os dois se dizem VÍTIMAS.

Vítimas? Um diz que os inimigos não querem um governo que protege o povo, o outro diz que foi alvo de “banditismo”. Ora, não vou rir porque é de chorar.

Quer dizer que o país está sangrando por conta da roubalheira, por conta dos acordos espúrios, da corrupção desenfreada, e as vítimas são os políticos?

E nós, povo brasileiro, somos os algozes? Vergonhoso, não se sabe mais o que dizer às crianças quando nos pedem explicações, não se sabe mais o que dizer aos jovens quando nos pedem para explicar quando ouvem dizer que a Justiça está errada quando pune esses marginais do colarinho branco.

Disso tudo só vejo uma vantagem – a Justiça brasileira está purificando muita coisa e estamos vendo, pela primeira vez, a Justiça ser feita não apenas para pobres e minorias.

O país está sangrando, e não é o povo que está com as mãos ensanguentadas.

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