Interrogar pra quê

daisyjun8Desde ontem o teclado do meu computador se recusa a emitir ponto de interrogação. Minha primeira reação foi a esperada — nervosa, irritada, coisa do meu Eu antigo. Depois de umas tantas floridas primaveras, de frios invernos, resolvi que meus outonos serão de absoluta calma e paz. Ora, não é à toa que todas as noites passo uns bons minutos meditando. E, embora tenha alma acalorada, decido que vou resolver o assunto a seu tempo.

E, parando pra pensar, fico me perguntando para que servem as perguntas. Uai, (peço emprestada a mineirice de minha amiga Taía), por que tenho eu que, nessa altura da minha vida sair por aí fazendo perguntas…

— É… — responde meu Eu antigo. — Você já deveria saber todas as respostas.

Pobre Eu antigo, ele não sabe que ter todas as respostas não faz meu gênero, sou daquelas que gostam de ter o que pensar, o que descobrir. Humildade, preguiça, nem sei bem o que é, mas fazer perguntas muitas vezes nos torna apenas mais ansiosos e frustrados.

Vou dar alguns exemplos a vocês, caros leitores.

Por que cargas d’água uma moça — bonita, deve estar com uns vinte e pouquíssimos se tanto, por que sai esta moça às ruas, com um cartaz de solidariedade a uma vítima de sequestro coletivo, e em seu cartaz diz que já pintou e bordou e a xxx continua sendo dela… As palavras não são exatas, mas o sentido é. Obviamente eu não teria o mau gosto de repetir suas palavras, e nem as decorei, tenho mais o que fazer do que ficar decorando “chulices”.

Outra diz que estava fazendo Arte, enquanto fazia da rua a sua latrina.

E os partidos e políticos brasileiros… Mesmo diante de delações e das provas que certamente virão — porque história de dinheiro é igualzinho à história de João e Maria, deixa rastro, há depósitos, há pagamentos, há contas de despesas que foram pagas por cheques de outras pessoas e tudo mais — que perguntas ainda posso fazer a essa gente… Será que suas respostas me interessam…

Acho que não, e aí vem minha reflexão: a interrogação é um aprisionamento, porque você espera uma resposta. O ponto simples é a positividade. E continuo a dar tratos à bola (atenção meus jovens, a expressão “dar tratos à bola” significa, apenas, “pensar, refletir”).

— Por favor — diz meu antigo Eu. — Sai dessa dicotomia que ela vai te levar pra longe, muito longe…

E aí, eu tenho que concordar com ele. Sabe de uma coisa… Acho que nesses e em outros casos, liberdade virou prisão, como diz a música. Sim, porque alguém que pensa que exibir o uso do próprio corpo significa ter propriedade sobre ele, pensa que é uma libertária, está, e como está, refém de um liberalismo antigo e inconsequente que já se extinguiu há muitos e muitos anos. As pessoas que ainda estão nesse passado hoje fazem apenas papel ridículo.

Os outros, os políticos, que pensam que vão se safar pela repetição do dismantra… porque mantra não é isso, não, mantra é uma ferramenta para conduzir à meditação, para conduzir o pensamento ao Bom e ao Bem, à Paz.

É… Acho que não vou mais fazer questão de ponto de interrogação. Até porque a única pergunta que eu faria agora seria aos meus queridos: “Você me ama…”

Mas nem precisa de interrogação, porque já sei o que Bernardo, Tiago, Carol, Marina, Rafael, Vinicius, João e Daniel responderiam.

Sendo assim… OMMMMMMMM, OMMMMMM, OMMMMMM!

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