Manterrupting

A quarta–feira passada foi um dia simbólico – o Supremo Tribunal Federal tratou como cidadão comum… um cidadão comum. Político, mas sem o lastimável foro privilegiado que protege com manto de sombra os abonados que estão no Poder. Entretanto, não vou falar sobre isto.

Vou falar, isto sim, sobre o triste e ultrapassado comportamento de alguns ministros que, sem a mínima elegância e porque não dizer, educação, interromperam as mulheres que, com igual legitimidade, declaravam seu voto. Vale ressaltar que os mesmos não tiveram a mesma enérgica atitude quando era um homem que declarava seu voto.

Para mim, um belo exemplo de Manterrupting (interrupção desnecessária feita por homens quando uma mulher está falando), termo que surgiu nos Estados Unidos e foi alvo de pesquisa publicada em 2015 no New York Times, pelo artigo de Sheryl Sandberg e Adam Grant.

O citado artigo – “Speaking while Female”, citava um estudo feito pelos psicólogos de Yale em que demostravam que senadoras americanas apresentavam menos oportunidades de discursar sem interrupções do que seus colegas homens. E declaram no artigo “Nós dois vimos isso acontecer inúmeras vezes. Quando uma mulher fala num ambiente profissional, ela caminha na corda bamba. Ou ela mal é ouvida ou é considerada muito agressiva. Quando um homem diz exatamente a mesma coisa, seus colegas apreciam a boa ideia”.

E mais: uma pesquisa anterior, feito pela George Washington University, em 2014, foi além e mostrou que tanto homens quanto mulheres tendiam a interromper mais vezes quando o interlocutor era uma mulher.

As pesquisas são americanas, mas suas conclusões poderiam ser aplicadas aqui em nosso país. Muitas mulheres que alcançaram alto patamar profissional passaram por esta vexatória e lamentável atitude sexista.

Quando falamos em atitudes sexistas, logo nos vem à mente violências óbvias – espancamentos, estupros, ameaças. Mas não podemos desconhecer as pequenas e frequentes sutis manifestações de violência ‘branda’, como a que tratamos agora. E são estas, que estão nos atos comuns do cotidiano, as que temos que combater para que não aconteçam violências maiores.

Os “reis da selva” que parem de rugir, apurem seus ouvidos e escutem com atenção, porque podem estar perdendo a oportunidade de ouvir sábias e sensíveis palavras vindas da boca de uma mulher.

 

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