Mentira? Boato? Não. Pós-verdade.

daisy23novEm bom português, pior que é. A mentira, tratada como fato importante pela mídia, acaba se tornando pelo menos um boato bem-sucedido.

Ultimamente, temos assistido a carradas de mentiras ditas por caras e bocas tão compenetradas e “sinceras” que chegam a nos confundir. Vide a eleição de 2014, em que a mentira campeou: a candidata Dilma jurava de pés juntos que a economia brasileira estava sob controle, que o Brasil blá, blá, blá… e na primeira semana depois de eleita a presidente seguiu o conselho do Cazuza e mostrou a cara do verdadeiro Brasil brasileiro, não aquele criado pelo mago Santana.  Eleita, Dilma saiu mandando farpas para todo lado — aumento de luz, combustível, impostos —, e ainda assegurava que nada sabia sobre o escândalo da Petrobrás. Deve ter se esquecido de que foi Presidente do Conselho da empresa, Ministra de Minas e Energia… Mas não vou ficar aqui lembrando a sujeira do passado, vamos em frente, de volta para o presente.

Dois ex-governadores são presos, as acusações comprovadas, mas eles “não sabiam de nada”, coitadinhos. Só nós, povo, é que sabemos de tudo… Ô povinho sabido nós somos.

Nos Estados Unidos, graças à TV a cabo, testemunhamos que baixaria não é privilégio de campanhas presidenciais brasileiras. Mr. Trump e Mme. Clinton usaram e abusaram da citada baixaria, um dizendo que o outro mentia, e o outro dizendo que quem mentia era o “um”.

Mas… dirá você, “Até aí morreu Neves”, porque todo mundo já sacou que na política a verdade é mercadoria de quinta.

Respondo eu: pois é, mas na hora em que a Universidade de Oxford elege a post-truth [pós-verdade] como termo do ano, a coisa fica mais séria. A Universidade definiu a expressão como “termo que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.

Mídias como Facebook, Twitter e WhatsApp patrocinam a proliferação de factoides porque geralmente chegam às pessoas através de alguém de sua confiança, o que dá legitimidade ao fato. Dizem mesmo que o Facebook utiliza algoritmos que propiciam ao usuário receber informações que corrobora seu ponto de vista, formando bolhas de boatos por aí afora. Acho bem maquiavélico isso, mas é o que dizem.

Quase me assusta a declaração do presidente da Oxford Dictionaries, Casper Grathwohl, ao Washington Post:  “Dado que o uso do termo [pós-verdade] não mostrou nenhum sinal de desaceleração, eu não ficaria surpreso se ‘pós-verdade’ se tornasse uma das palavras definidoras dos nossos tempos”.

E eu fico de cá pensando sobre a dor e a delícia do progresso e do desenvolvimento, quando me vem à lembrança a origem da ideia que está por trás dessa coisa toda: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Lembram-se o nome do autor da frase? Pois seria melhor esquecê-lo. Seu nome? Joseph Goebells, o “Santana” de Hitler.

Não precisaria dizer mais nada, mas eu digo: “Vade retro!”

#prontofalei.

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