Mundo, mundo, vasto mundo…

hiltrump2Sessenta e cinco milhões de pessoas por ano abandonam suas casas, partindo para o “tudo ou nada”, fugindo do terror, de regimes ditatoriais e de tiranos homicidas. Milhões morrem pelo caminho enquanto buscavam refazer a vida.

Os Estados Unidos, em sua campanha presidencial, apresentam um candidato que proclama a necessidade de construir muros para proteção. O terror escolhe situações em que possa atingir e matar o máximo de pessoas. Aqui, na nossa terra de Cabral, já não se sabe mais o que é mentira e o que é verdade, e a perplexidade cresce à medida que novas revelações da Lava-Jato acontecem. E eu me pergunto: o que está acontecendo com o mundo? Como as pessoas, os políticos em especial, têm a coragem e a desfaçatez de dizer o que dizem, de fazer o que fazem? Como têm coragem de mentir deslavadamente, de prometer absurdos, de negar realidades que estão aí expostas, para todo mundo ver?

E, o mais incrível, como pode existir quem apoie os corruptos, os mentirosos, os bravateiros? Como alguém, em sã consciência, pode acreditar que em vários governos, quando a corrupção se estendia aos muitos milhões de dólares, os principais governantes não sabiam de nada? Em nome de que Deus alguém mata e destrói, e ainda sai gritando o nome do “seu deus”? Como alguém pode apoiar um cidadão que vê na criação de muros a única solução para tantos problemas?

É… Voltamos à Idade Média. Na certa também vão construir fossos ao redor de seus castelos.

Estamos numa época em que “dizer qualquer coisa é melhor do que não dizer nada”. E o mundo assiste, perplexo, meio lobotomizado. Parece que as pessoas estão num processo absoluto de desacreditar. Palavras severas, histórias cruéis já são ouvidas apaticamente, e quem cria mais mídia acaba se locupletando, ganhando espaço, produzindo emoção. Estamos todos tão descrentes, não importa de que país sejamos, que uma bravata qualquer, ou uma sequência de lágrimas bem ensaiadas, consegue prosperar.

E o espanto imobiliza as pessoas. Mas existe um ponto comum entre os que se dizem “salvadores”: a incitação à violência. “Vamos pra rua, pra mostrar que temos força!”

O Mr. “de lá”, incita os que defendem a venda de armas para que “tomem providência”, porque a outra candidata anuncia que, eleita, vai mudar isso. Que “demonstração de força” é esperada pelos “de cá”? Quebrar agências bancárias, incendiar patrimônio público? Quem vai pagar pela reconstrução? E que “providências” estão sendo sugeridas no lado de lá?

Ah, mundo, mundo, vasto mundo…

Olha, poeta, o teu “vasto mundo” está cada vez menor. Não pequeno de tamanho, mas pequeno de ideias, pequeno de decência, tão pequeno de amor.

 

 

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