Não é a arma que mira o alvo, é o alvo que procura a arma

Para início de conversa tenho que lhes informar, amigos leitores, que sou dessas pessoas que acreditam no ser humano. E acredito por uma razão muito simples, eu sou uma pequena partícula desse bando de bilhões de vizinhos do meu planeta Terra, eu sou igual.

Igual.

Igual? Claro que em todo ajuntamento de qualquer coisa, existem umas que estão meio estragadinhas e aí eu posso estar falando de tangerinas, de ovos, e até mesmo de gente. Sim, gente como eu e você.

O grande paradoxo: somo seres tão iguais em algumas coisas, temos características das quais não podemos fugir porque estão presentes em qualquer ser humano, e ao mesmo tempo podemos ser tão diferentes uns dos outros, esta é a riqueza do ser humano.

E mais: nessa nossa Era Cibernética, podemos colocar nossa diversidade a favor da Inteligência Coletiva, podemos agregar às experiências alheias o valor das nossas próprias vivências. Podemos relatar nossos erros e nossos acertos, repassando a quem não tenha tido ainda aquela experiência a vitalidade da coisa vivida, podemos maximizar o valor da nossa experiência ampliando o conhecimento dos que entram em contato com o que dizemos, escrevemos. Podemos ajudar a formar a Inteligência Coletiva.

“Inteligência Coletiva é uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências”, diz Pierre Levy, o criador do conceito.

Para bom entendedor pingo é letra… Ouso dizer que a Internet é uma arma, bem mais poderosa do que qualquer outra, porque neste caso, não é a arma que mira o alvo, é o alvo que procura a arma.

… E bota revolução nisso, a Primavera Árabe já nos mostrava o tamanho deste Poder. Dito isso, acho que nem se precisa comentar o tamanho do medo que os poderosos têm da inclusão digital plena. Não é à toa que China, Rússia, Cuba, Venezuela e outros seguram a tranca.

A inclusão digital é uma ameaça terrível para aqueles que não gostam de compartilhar poder, seja este de qualquer tipo e aí não me refiro só ao poder político, mas até mesmo aos pequenos poderes individuais, por exemplo daquelas pessoas que se achavam donas absolutas do saber e que agora assistem perplexos ao espetáculo de pessoas com muito menos horas de voo, quer dizer, de estudo, voar em céu de brigadeiro numa variedade enorme de assuntos.

Se a Internet já é ameaçadora para quem gostava de “saber sozinho”, vocês sabem, aquelas pessoas que escondiam o que chamávamos o “pulo do gato”, imaginem quanto não ficam intimidadas quando o assunto é mais grave, tipo assim Lava-Jato, delação premiada, coisas do gênero.

Imaginemos quanta sujeira foi varrida para baixo dos tapetes do Poder em tempos outros. Agora ficam os envolvidos reclamando e denunciando “vazamentos”. Ora, todos nós, povo, devemos saber de tudo o que diz respeito ao nosso país.

Mas – e aí vai o porquê de eu ter dito lá no início que sou “dessas pessoas que acreditam no ser humano”. Continuo…, vamos querer saber de tudo sim, mas não vamos parar na Raiva. A Raiva imobiliza, distorce o pensamento, vamos ver e analisar de outra forma.

Vamos celebrar que não estamos, na maioria das vezes, varrendo a sujeira para baixo do tapete. Sei que ainda há um longo caminho a percorrer, mas já estamos no caminho, estamos purificando, esta é a palavra – chave: Purificação. Então, continuemos vigilantes, participantes, sem ter medo de assumir as posições nas quais acreditamos.

Participação é a outra palavra-chave: vê-se muitas pessoas que reclamam pela mídia social mas não são capazes de abdicar de uma manhã na praia para ir engrossar a fileira dos que mostram seu descontentamento através das manifestações.

É um longo caminho, mas já estamos marcando nele as nossas pegadas. Deixe você também a marca dos seus pés neste caminho.

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