O sucesso é uma mola maluca

foto981107Estava eu calmamente degustando um bom queijo roquefort na preciosa companhia de amigos queridos, quando me lembrei da visita que fiz às cavernas de Roquefort-sur-Soulzon, uma pequena vila no sul da França. É bom acrescentar que no planalto de calcáreo de Causse Du Lazarc, onde a vila está situada, a erosão produziu uma montanha tão oca quanto o citado queijo.  Nas cavernas onde o queijo é produzido, a umidade média é de 90%, e o leite é lentamente amadurecido, resultando no delicioso roquefort. O mais interessante, segundo o guia da caverna, é que esta descoberta foi obtida graças à percepção do produtor, que notou que os queijos que ficavam posicionados na corrente de ar eram os que produziam uma espécie de mofo que dava personalidade ao queijo.  Ora, os queijos foram colocados lá por um erro ocasionado pela pressa e, sendo tão diferentes da produção, a princípio ele os descartou, mas num dia em que não tinha estoque disponível, lançou mão dos tais queijos, e foi aquele SUCESSO.

A lembrança me direcionou ao acaso. Quantas descobertas teriam sido feitas a partir de erros, ou de coincidências? Lá fui eu pesquisar, e constatei inúmeras “falhas” que, por assim dizer, deram certo.

Lá vão algumas: a batata chip, fruto da irreverência — num restaurante nos Estados Unidos, em 1853, o chefe George Grum, irritado com as reclamações de um cliente dizendo que “essas batatas estão grossas e sem sal”, cortou-as em tiras bem fininhas e as fritou até que ficassem crocantes, adicionando mais sal. SUCESSO!

Percy Spencer — quando trabalhava em uma empresa de radares em 1945, notou que a barra de chocolate do seu bolso tinha derretido. Dali para a criação de um forno de micro-ondas foi um passo. SUCESSO!

Alexander Fleming saiu de férias, em 1928, e se esqueceu de limpar e recolher algumas placas com cultura de micro-organismos no laboratório em que trabalhava no hospital St. Mary, em Londres. Voltando das férias notou que uma das culturas de estafilococos estava contaminada por uma espécie de bolor, mas tinha eliminado todas as bactérias ao redor. Do bolor resultou o fungo produtor da penicilina… e aí não foi apenas SUCESSO. Nem preciso lembrar a revolução que causou na medicina.

E a mola maluca, o brinquedo que encanta crianças de qualquer idade, foi inventada em 1943 pelo engenheiro naval Richard James, que derrubou acidentalmente uma mola mecânica e, surpreso, viu a mola sair pulando pela sala. Percebeu o potencial da coisa e investiu na elaboração do brinquedo.

Todos estes exemplos me fazem pensar que o sucesso é meio que uma mola maluca, ou malucos são os cérebros que acreditam que, de um simples acidente, ou erro, podem realizar projetos surpreendentes.

Esta é a maravilha das realizações humanas — pessoas persistentes, que ousam romper com paradigmas, podem chegar ao inimaginável, que, depois de inventado, é como o ovo de Colombo e faz alguns refletirem: “Como não pensei nisso?”

Nunca lhe aconteceu pensar assim?

Pois, para começar, abandone os padrões estabelecidos, e ouse — quem sabe, um dia, vendo o que você inventou, tantas outras pessoas vão dizer “Como eu não pensei nisso antes?”

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