O tempo é senhor da razão?

happinessA atitude reflexiva é algo que tento adquirir e preservar em meu comportamento. Observar o outro, admitindo que cada um seja o que pode ser e não o que eu gostaria que ele fosse, para que eu mesma possa ser o que posso, o que gosto de ser, e não apenas uma resposta à expectativa de algum outro ente que não a minha própria consciência, o meu próprio desejo.

E cada vez mais, vou firmando a certeza de que alcançar a maturidade não é conquista que se faça apenas pelo passar do tempo, pela idade.

Por quê? Ah, porque dá trabalho. É fruto de muita persistência, porque no fundo de cada um de nós existe sempre uma vontade de permanecer criança, de, pelo menos às vezes, ter aquele momento de irresponsabilidade, de sair por aí com a rebeldia de um adolescente que reclama, que xinga, que protesta.

Admitir as próprias falhas é barra, e barra pesadíssima, a. A realidade é que muito frequentemente nos achamos infalíveis. E quando conseguimos superar, aceitar e mudar, ah, isto não tem preço. Não tem preço mas tem custo, e custa muito esforço, não é fácil sair da zona de conforto e abandonar antigos paradigmas.

Que bom quando você, afinal, se vê num momento pleno, e recorda, sem saudade, o vazio que ali existia antes.

Ontem, conversando com amigos, discutíamos a melhor estratégia para a felicidade. E pra início de conversa, sempre há os que afirmam que “felicidade não existe”. Sim, mas há momentos felizes. Se (sempre tem um SE) nos resignarmos a buscar os tais momentos na nossa rotina, eles estarão lá, olhando para nós, doidinhos para serem encontrados.

Uma flor, um canto de pássaro, a risada de uma criança, a gargalhada de um amigo, quem não tem uma coisa dessas no seu dia a dia?  Nem precisa procurar muito. Basta aceitar o que vem, que está por aí em algum lugar perto de você. Mas só consegue isso quem chega à inteireza, quem não está dividido em “quero”, “não quero”, “gosto’, ‘não gosto”. E, o paradoxal é que a palavra razão vem de ratio, que quer dizer divisão.

Por isso o tempo, para mim, não é o senhor da razão. É, sim, o senhor da plenitude, da inteireza, da intuição, em que você, depois de viver uma coisa qualquer de verdade e com verdade — mergulhando fundo, e não ficando na superfície das coisas — pode se entregar à vida sem ficar pensando e analisando o tempo inteiro.

Basta permitir-se estar vivendo, apenas vivendo com entusiasmo pela vida e “confiando no seu taco”.

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