Oh!

Em 2016 cientistas japoneses descobriram num amontoado de lixo, uma bactéria que parecia ser capaz de “comer ”plástico. Dias atrás, estudos da Universidade de Portsmouth, Inglaterra, revelaram que a partir da tal bactéria conseguiram produzir uma enzima mutante que poderá potencializar o processo.

Se pensarmos que a cada minuto um milhão de garrafas de poli tereftalato de etileno (PET) são vendidas no mundo, que apenas 14% são recicladas e que o plástico, dizem os cientistas, demoram cerca de 400 anos para se decompor, formando oceanos de podridão pelos lixões do mundo e no fundo dos mares, só nos resta dizer Oh! para a tal enzima que as destrói em questão de dias.

Se pensarmos que o PET acaba de alguma forma no estômago de animais marinhos que são comidos pelos homens e, em consequência, acabam por fazer parte da cadeia alimentar, provavelmente intoxicando o ser humano provocando efeitos ainda não totalmente conhecidos, só nos resta outra vez exclamar Oh!

Se pensarmos que existe a possibilidade de ser criado, num futuro próximo, processo industrial para transformar este e outros plásticos para serem reciclados de modo sustentável, aí não cabe mais dizer Oh! e sim, “Vamos à luta”.

Ah, mas é tão fácil falar de plásticos, de polímeros, de coisas concretas e materiais…

E a podridão das ações malignas que azedam a humanidade, as ações arbitrárias, o egoísmo, a ânsia de poder, a exploração do homem pelo homem, os preconceitos, a desumanidade que mata milhões de pessoas todos os dias, e aí?

Que enzima poderia destruir a desumanidade dos humanos? Que enzima poderia destruir o poder dos que matam direta ou indiretamente pessoas aos montes todos os dias, seja por guerras, seja por absoluta indiferença à fragilidade e completa falta de recursos dos que não tiveram a sorte de nascer em berços confortáveis, talvez nem berço tiveram, embalados que foram pela fome e pela miséria.

Polímeros serão destruídos num futuro próximo, mas para a ganância do Homem pesquisa nenhuma vai poder encontrar solução. Aí, meus amigos, não há universidade do mundo que possa ter sucesso nesta empreitada. Pela simples razão de que depende de cada um de nós, de cada um de nós que tem respeito pela própria condição humana.

Resta a cada um de nós refletir e descobrir em que poderá contribuir para que o futuro de todos seja menos desigual. Não precisamos ter ações grandiosas para contribuir com um mundo melhor, pequenas ações promovem sinergia. A consciência cidadã promove igualdade. Pequenos gestos proliferam, são como a pedra que se joga no meio do lago e vai fazendo círculos cada vez maiores, e maiores, e maiores, para que haja um futuro para todos, e não apenas para alguns.

Quem sabe um dia ainda faremos Oh! quando olharmos à nossa volta e enxergarmos todos sendo tratados com a dignidade que cada ser humano merece?

Mas, para que isto aconteça, temos que ir à luta.

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