Ostras coisas

ostrasSei muito bem que ostra é daquelas coisas que as pessoas amam ou odeiam, não há meio termo. Estou no bloco do amor. Sempre. Inclusive no de amor às ostras.

Ademais, não aguento mais escrever sobre política, as teclas do meu computador estavam no outro dia vazando um líquido escuro, pegajoso. Chamei o Marcelo, que faz a manutenção da máquina, e ele diagnosticou: LAMA! Foi quando decidi mudar de assunto por um tempo, até a pobre máquina se recuperar de tanta petrolama & outras sujeiras de que venho falando.

Portanto, vamos às ostras.

Em primeiro lugar, não sei se você sabe, mas existem cerca de cento e vinte espécies conhecidas de ostras, e já percorri alguns bons quilômetros para degustá-las.

Em Honfleur, cidadezinha da Normandia, lambi os beiços com umas ostras saborosíssimas, acompanhadas por um Calvados, espécie de sidra de fabricação controlada na França.

Diferente do Brasil, a França protege a origem e garante o modo de fabricação de seus produtos, como fez com o champagne — por acordo internacional, só pode ser denominado “champagne” o produto oriundo da região de Champagne, os outros são espumantes. Para ser chamada de Calvados a sidra tem que obedecer aos critérios de fabricação franceses, foi o que me ensinaram em Honfleur. E acreditei, porque, afinal, a cidade era uma das favoritas de figuras como Monet, Turner, e hoje atrai multidões de turistas para conhecerem suas ruelas charmosas, sua noite brilhante, e suas ostras gloriosas.

Em Nova York, no Grand Central Terminal, fiquei deslumbrada com a arquitetura, que escada! Um verdadeiro monumento, no estilo Beaux-Arts, com as Constelações do Zodíaco invertidas pintadas no teto e mais de 2.500 estrelas, sendo 60 delas iluminadas por fibras ópticas. Fiquei vesguinha com aqueles candelabros fascinantes, e saí de lá meio trôpega, não por bebida, mas pelo tanto de ostras de diversas espécies que provei no Grand Central Oyster Bar. Elas me tiraram do sério.

Na semana passada estive em Florianópolis para receber o Prêmio Miró de Literatura. Como sempre, Floripa me encanta, com seu sotaque aportuguesado, lembrança açoriana, e seus habitantes hospitaleiros, gentis. Eu não poderia estar na bela Santa Catarina sem ir à Lagoa da Conceição à procura de… OSTRAS. Já provei ostras do Rio Grande do Norte, consideradas formidáveis, mas as ostras da Santa, UAU! São super!

Eu as prefiro in natura, nada de ao forno, ou grelhadas, nada disso. E fiquei espantada com o cuidado com que as autoridades tratam o assunto (e os vendedores acatam): para preservar sua qualidade, só podem ser vendidas ostras ao natural em lugares determinados, onde não teriam que passar por grande tempo de transporte. Em lugares mais distantes dos centros produtores, só as servem “ao bafo”, quer dizer, no vapor.

Consumidor sendo tratado com cuidado e respeito em nossa terra é mesmo de espantar, é coisa para se louvar, e eu não poderia deixar passar em branco. Por essas e por ostras, além do elogio, lhes faço uma confidência: além de me agradar o estômago, as ostras de Santa me aqueceram o coração.

 

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