Partejando

daisyset28Andei parindo esses dias, e foi um parto cruel, difícil, demorado, cheio de dúvidas até que chegasse a certeza. E nasceu De nomes e sobre os nomes.

Depois que o livro acabou, fiquei, mais uma vez, com aquele sentimento estranho de ter a certeza de que estou, novamente e para sempre, sozinha.

Escrever me traz a sensação de ter companhia; meus personagens estão agora e vão estar sempre ao meu lado, às vezes gemendo baixinho como criança que quer colo, às vezes gritando tão alto que me ferem os ouvidos.

Esquisita sensação esta, a de saber que em algum lugar do meu tempo, da minha mente, da minha emoção, existem entes que estão à minha espera, aguardando que eu lhes estenda as mãos para chegarem-se a mim, e, num movimento generoso, permitirem que eu os crie, ou os recrie, que eu os faça bons, maus, bonitos, feios, esdrúxulos, engraçados, desgraçados, solitários, honestos, desonestos e tudo o mais que a minha bondade ou a minha crueldade possa fazer deles.

Eu os amo… Até os que ainda não chegaram, como acontece ao filho que está no ventre, mas que ainda não tomamos nos braços.

Eu os amo, porque revelam desejos, dúvidas, anseios, concordância ou discordância às coisas do mundo.

Eu os amo, porque me acompanham como o cão fiel faz a seu dono: estão sempre aqui, comigo, mesmo quando finjo que não os quero por perto.

Eu os amo, porque sabem me trazer alguma pouca alegria, em dias de tristeza.

Eu os amo, porque sempre estiveram comigo e, pacientemente, esperaram o momento em que pude, enfim, trazê-los à vida…

Quer dizer, eu penso que lhes dou a vida, quando eles fazem muito mais por mim: eles me doam a vida. A deles e a minha.

Significam hoje, para mim, a possibilidade de amar, de me expressar sinceramente, me oferecem a oportunidade de ser amorosa, ou alegre, ou brincalhona. Enfim: posso, com meus personagens, ser quem já fui um dia. Posso, com meus personagens, ser quem eu sou hoje. Posso, com meus personagens, ser quem eu gosto de ser.

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