Presente de Natal

Bomba, bomba… Foi-se o tempo em que a expressão significava um furo de reportagem. Hoje, especialmente se você estiver em alguns países da Europa, o significado é literal: bomba é bomba mesmo.

Governos e populações vivem o terror da ameaça de terror. Estações de metrô, praças, boates, estádios, todo lugar que concentra muitas pessoas transformou-se em alvo potencial. Triste, triste.

Aqui no Brasil, a bomba é outra — estamos sofrendo os efeitos de uma bomba que vem caindo aos poucos e desde muitos anos atrás, cogumelo maldito que se entranhou no governo, destruindo qualquer hipótese de lisura e dignidade na política. Nestes últimos dias começaram a cair os estilhaços da denúncia da Odebrecht. Espera-se que sejam citados cerca de 200 nomes de políticos. Ainda se espera delações da OAS e sei lá mais de quem.

Horrível ter-se que saber a verdade através de delações, mas fazer o quê? Vigaristas, bons vigaristas, aqueles que são mesmo “profissas”, se esmeram na competência. Sabem esconder fatos como ninguém; vigaristas diplomados não deixam rastro.

Enquanto isso, dá-lhe desemprego, dá-lhe desesperança. Diante do cenário, o que se pode pedir neste Natal a um “Papai Noel” qualquer?

Emprego? Não tem jeito.

Dignidade aos políticos? Artigo em falta no mercado brasileiro.

Justiça? Está a caminho, será que dessa vez vai?

Mas, como nada é perfeito e as conquistas não caem do céu, temos que estar atentos e vigilantes, e, acima de tudo, temos que sair do discurso e trazer para nossas ações todas as pautas que fazem parte das nossas reivindicações — desde o mais simples como não ultrapassar sinais vermelhos e não entrar na contramão, por exemplo. Nas coisas simples é que começam as grandes mudanças. Vamos incorporar na nossa cultura que o que é ilegal não deve ser feito.

A solução parece não estar em nossas mãos, mas na verdade está. Como tudo na vida, a responsabilidade pelos problemas está, na maioria das vezes, nas escolhas que fazemos. Escolhas geram destinos, geram caminhos, mas também geram dificuldades e, não nos enganemos, isso tudo que está aí, essa lamaceira toda, em parte é culpa nossa. Não dizem que cada povo merece o governo que tem?

Pois é, vamos então nos esforçar, nos informar, estar atentos, para fazermos melhores escolhas. Quem sabe, fazendo isto, um dia tenhamos um futuro como presente de Natal?

Bom Natal a todos com saúde e muita paz.

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