Primavera!

Pool-SpringtimeHoje, dia 23 de setembro, é o dia em que oficialmente começa a Primavera.

E eu, cá do outono da minha vida, fico a refletir o que ganhei nas estações já vividas. Lembranças dos sonhos, alguns vãos, outros utópicos, todos sonhos. Na minha juventude, sonhos eram para ser realizados. À medida em que o tempo passa, confirmo que sonhos… são sonhos. O que lá atrás eu chamava de “sonho” e que pressinto que pode se realizar, chamo hoje de plano, projeto, coisa assim.

Sonhos são para SONHAR.

Avaliando minhas estações, sei que meus verões até hoje me trazem o calor da vida, o calor do amor, o calor da esperança e a certeza de que um ninho quente se mantém aquecido com o fogo do afeto declarado, da confiança, da alegria.

Muito bom de vez em quando “fechar pra balanço” e ficar imóvel debaixo do sol, meditando, mas só até o bronzeado se assentar, não ao ponto de torrar os miolos e me expor ao câncer de pele, o que fiz muito quando jovem, saindo da praia só depois de o sol ir embora.

Essa noção de limites acho que é a conquista mais importante com o passar dos anos. Desde que seja uma constatação saudável, correta, energizante, madura. E não limitadora.

Saudável? Sim, reconhecendo limites podemos ampliar nossas possibilidades, por mais paradoxal que pareça. Limites que vão desde ao tipo de alimentação mais correta à qualidade do sono, ao que se deve fazer para poupar energia sem estagnar, buscando no passado os incentivos e a motivação para continuar produzindo.

Aí, um aspecto que julgo muito especial para quem já viveu muitas primaveras: produzir, qualquer coisa que lhe dê prazer. Me pergunto todas as noites na hora de me preparar para dormir: “O que eu fiz hoje que me deu prazer?”

Pois é, amigos, chega um momento na vida e da vida em que o prazer é o que mais importa, é o que mais energiza. Identificar o que dá prazer é obrigatório, acho, depois dos 50. Até lá, a própria luta pela vida, pelo sucesso no trabalho, pelo status, isso tudo energiza. Mas quando você já realizou seus planos, ou quando resolve se aposentar, por exemplo, precisa descobrir algo que lhe faça sorrir, que lhe dê realização, que espante dos seus dias o marasmo do nada.

Inventar algo novo, desenvolver uma atividade que lhe dê satisfação é renovar a percepção de que continua produzindo, é garantir que a sua vida ainda está valendo a pena. Quem não fizer isso corre o risco de ficar olhando o nada, ou pior, virar “inspetor da natureza”, ó, coisa chata. É uma afirmação que faço com absoluta certeza, pois já passei por isso.

Mas, se você tem limites com o passar das primaveras, você também tem ganhos, graças a… Ora, graças a você, se fizer esforços suficientes para amadurecer, para ter como meta atingir o seu melhor, tendo como referência o melhor de você mesmo, nunca o melhor do outro. Já conheci pessoas que viviam extremamente infelizes porque sua referência para realização era o outro, não se dando o trabalho de buscar em si mesmas o que de melhor poderiam desenvolver para se manter “na ativa” e preferindo buscar nas realizações de outrem motivações para seus planos. A perspectiva não poderia mesmo ser animadora, não acham?

Muitas primaveras para vocês, meus leitores, é o que desejo, e que consigam colher perfumadas flores na sua vida, mesmo que um verão de dificuldades esteja tentando queimar  seus planos e que um inverno de dúvidas esteja tentando congelar sua vida. Que lhe sobre esperança para viver um outono feliz.

Deixe um comentário!