Quem não se comunica…

foto do comunicador Chacrinha

Essa frase do título é velha demais para alguns. Mesmo para quem não a conhece não se constitui em novidade, porque o sentido é quase óbvio.

foto do comunicador Chacrinha

foto do comunicador Chacrinha

Eu poderia imaginar uma finalização politicamente correta, usando palavra mais comum e mais educadinha, mas vou manter a expressão original, que é “Quem não se comunica, se trumbica”.

Para os de menos de trinta anos, eu explico: no século passado, lá pelos anos 80, houve um irreverente e talentoso comunicador de TV chamado Chacrinha que cunhou a frase.

No caso, o verbo era uma gíria muito utilizada na época e, acredito, tenha se esgotado, talvez por excesso de uso. Trumbicar-se significa “dar-se mal, falhar, não conseguir”.

Em nossos tempos, com a Internet pontificando e as pessoas conversando “ao vivo e a cores” cada vez menos, nada mais atual e relevante do que a comunicação.

Quanto aos meios, perfeito. Temos ferramentas mil, desde o celular ao computador, praticamente em qualquer lugar em que estejamos podemos nos comunicar com o mundo inteiro.

Agora, quanto aos métodos…, sei não.

Aliás, sei sim. Mensagens ambíguas, comunicações mal feitas – ou porque mal pensadas, mal escritas, ou porque existe a intenção de não serem compreendidas.

Quando isso acontece nos relacionamentos… Ih, dá briga.

Mas, nas relações de trabalho, além de dar briga às vezes, sempre dá prejuízo.

Não pense que a falha na comunicação acontece raramente. Muito pelo contrário, pela minha experiência como consultora organizacional, posso afirmar que uns 30% dos problemas que já constatei nas empresas decorrem de falhas na forma que as tarefas são comunicadas, e no que se escreve quando do planejamento de projetos.

Causas? Lá vão apenas duas delas.

Uso de palavras difíceis – incrível como certas pessoas, especialmente os inseguros, pensam que o saber se exibe no uso de palavras que poucos compreendem e que acabam por confundir as pessoas. Diante da comunicação que não tem clareza, muitos que recebem essas comunicações sentem-se envergonhados de demonstrar que não compreenderam. Mas ainda persiste o velho pensamento que “falar difícil é coisa de gente inteligente”, pode?

Só que, quando não se compreende uma comunicação como realizar a tarefa?

Pior, quando o projeto abrange mais de uma área, ou mais de um departamento, isso quer dizer que vários gestores ou líderes liberam instruções que às vezes até entram em desacordo. Por quê? Porque as pessoas, inibidas por razões que vão desde a vergonha em confessar que não entenderam até o medo de serem consideradas inaptas por não terem compreendido, interpretam. E, interpretação, meus amigos, especialmente de texto mal escrito, cada um tem a sua.

Só que a tarefa tem que ser desenvolvida por uma equipe, dificilmente começa e termina numa só pessoa e aí temos o primeiro passo para o insucesso de um projeto.

Nas empresas grandes é comum, ao analisarmos problemas no andamento de um projeto, verificarmos que o ponto zero da complicação estava exatamente na emissão de ordens sem clareza.

A outra causa que escolhi para hoje é:

Falta de feedback – ou seja, quem recebe a ordem e não a compreende por uma razão qualquer, não retorna a quem a emitiu e pede que esclareça.

O nome que dou para essa causa, nos workshops é “abriram o baú e saiu barata voando pra tudo que é lado”. Ou seja; sem explicação e cada um fazendo a sua interpretação do que foi dito, mas não compreendido a proliferação de ideias é incomensurável e tudo pode acontecer.

Ao contrário, quando existe condição e clima para que as pessoas conversem sobre o que estão fazendo juntas, seja uma tarefa, seja um projeto maior, o que acontece? Dúvidas são eliminadas, e os procedimentos tendem a somar se cada um souber exatamente o que está fazendo, o como e o porquê.

E aí… Ninguém se trumbica.

 

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