Roma é amor

anitaRoma, Cidade Eterna, velha cidade, com suas ruas maltratadas, suas pessoas indo e vindo, arte em tantas esquinas, o medieval te encarando, impávido, sem o menor problema em ter tanta idade. Ao contrário, a “terceira idade” nessa cidade é muito mais que decadência. É motivo de orgulho, que atravessa o tempo e acerta a alma dos que por aqui passam.

Gostaria muito de que no meu país, jovem ainda, a arte das esquinas acontecesse como aqui. Claro que não em pinturas, essas daqui venceram séculos, claro que não em ruas onde passaram imperadores e poetas de outros “carnavais”, quer dizer, de outras eras…

Não temos no Brasil nenhuma cidade, como acontece em Roma, que tenha uma origem mitológica. Não descendemos de nenhum guerreiro troiano, como o Eneias de Roma. Nosso “Eneias”  pode até ter sido Arariboia, mas é, com certeza, um político que se candidatou à Presidência da República e declarava com orgulho: “Meu nome é Eneias!”

Continuando a história lendária: Eneias lutou muito até chegar à Itália, onde seu filho Ascanio fundaria Alba Longa,  que seria o núcleo da futura Roma. Ascanio teve dois filhos gêmeos, Rômulo e Remo, que foram atirados ao Tibre pelos usurpadores do reino de seu pai. Mas os bebês heróis mitológicos se salvaram (claro, onde já se viu mocinho morrer no início do filme?). Enfim, chegaram à margem do rio no sopé do Monte Palatino e foram amamentados por uma loba.

Uma LOBA! UAU! Depois de adultos, restituíram o trono ao pai. Que bacana! Mas acabaram brigando por causa de propriedades, de terra, tipo militantes do MST. E Rômulo matou Remo. Nossa!

Continuando a nossa humilde comparação, busco na memória algum fato semelhante, tento descobrir quem teriam sido  nossos  “Rômulo e Remo”. Ah! Encontrei…

Um fato não tão charmoso, mas que também acabou no fundo de um rio. Que rio? O Guandu. Quando? Ih… muitas décadas atrás. Quem eram “Rômulo e Remo”? Não eram filhos de nobres, claro, se fossem, teriam SQEF — o famoso “sabe com quem está falando?”.  Eram mendigos, mesmo.

É… eu não deveria deixar de falar no Direito Romano, uma das fontes da nossa Justiça. Foi mesmo? Não sou da área, mas espero que tenha sido beeem modernizado, porque desde a Lei das Doze Tábuas, a Lex Duodecim Tabularum (449 a.C.), muita água já rolou — pelo Tibre, pelo Guandu e até pelo Amazonas. Pelo rio São Francisco então, nem se fala…

De qualquer modo, nada a lamentar, a não ser a aposentadoria do Joaquim. Ora, vamos parar por aqui, me digo baixinho, para não acordar os deuses.

Não estou brincando, não. Afinal, dizem que Eneias era filho de Vênus, e eu nem de brincadeira quero ficar mal na fita com a deusa. Logo Vênus? Tô fora, quer dizer, tô dentro. Quero que ela me inclua em seus planos, ainda não pendurei as chuteiras…

Bom, talvez nada disso tenha importância. O que importa mesmo é que ROMA é AMOR. Ainda que escrita ao contrário, mas É.

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