Rumo a 2016: Jornada nas Estrelas ou Viagem ao Fundo do Mar?

daisyago5O Brasil de hoje não oferece muita possibilidade para uma crônica minimamente interessante. O climão da Operação Lava-jato — que mais parece um poço sem fundo —, a inflação dando o ar de sua graça, a total desmoralização de políticos e governantes, a expectativa de “quem mais estará ainda escondido nessa pataquada toda”, faça-me o favor… Já se disse tudo o que se poderia dizer, criticar, louvar.

No momento, com relação a esses assuntos, me parece que só nos resta esperar… e torcer para que o Moro tenha sabedoria e força suficientes para levar a cabo a missão. Enquanto isso, e para desestressar das notícias alarmantes e dos fatos descabidos, diários, intermitentes, acompanho os campeonatos e me encanto com o voleibol.

Que esporte tão educativo. Senão, vejamos: dos que eu conheço, é o único no qual não cabem estrelismos, porque é trabalho de equipe, do início ao fim — um jogador não pode levar a bola de um lado a outro sem dar passes. Aí, relembro os projetos em que trabalhei nas empresas, formando equipes de trabalho, e vejo que talvez fosse mais eficaz se, em vez de workshops e blablabás, eu tivesse ministrado aulas de vôlei.

Pra início de conversa, o jogador já sabe de antemão que não pode ele sozinho começar e concluir uma jogada — SEMPRE depende dos outros jogadores. As substituições são constantes e sempre objetivando o melhor para a equipe, seja para poupá-la quando o jogador já está com muitas faltas, seja para aproveitar melhor a capacidade de cada um, seja porque este tem mais altura para fazer um bloqueio, seja porque aquele saca melhor, e por aí vai. O melhor disso: todos os jogadores aceitam a substituição sem fazer beicinho ou cara feia, sabem que faz parte do jogo, e aceitam sem chiar.

Todo mundo sabe o que pode e o que não pode fazer e respeita os fundamentos: encostou na rede, perde; pisou na linha, perde também. Sem perdão. Fica nervoso, mas depois sossega no seu canto e volta à disciplina.

Pode-se dizer que o único momento do jogo em que o jogador está por sua conta e risco é na hora do saque. E qualquer saque vale, se não for para fora da quadra nem ficar na rede. Pode ser um Jornada nas Estrelas, um Viagem ao Fundo do Mar, um saque com efeito ou simplesmente um saque qualquer, se for direitinho e honestamente para o campo adversário, está de bom tamanho, política de resultados… O resto é TIME, é jogo para todo mundo jogar, cada um na sua vez.

E me vejo pensando como seria tão perfeito se nós todos, e não somente os políticos, seguíssemos minimamente os fundamentos do vôlei — sem estrelismos, pensando no outro, substituindo para melhor aproveitar as habilidades de cada um em prol do conjunto, não querendo “levar vantagem” em cima do talento alheio.

Mas… ninguém é perfeito mesmo, muito menos por aqui, e o que se vê, na vida diária, nos governantes, nos políticos, nos próprios personagens do esporte, é o que está à mostra todos os dias: um querendo que o outro se exploda, cooperação nenhuma, mentiras sempre que possível, humildade zero.

Outro dia, meu celular escorregou no estacionamento de um shopping, e quem o encontrou me devolveu. Deveria ser uma coisa bem normal, no entanto eu quase me emocionei quando o homem me entregou, já tão acostumada a ver as atitudes desonestas de rotina.

É isso, amigos. A palavra vôlei, na sua origem, veio de volée, voo, e, claro, se refere ao voo da bola. Mas eu voei… viajei na maionese, e só me resta parabenizar Bernardinho e o Zé Roberto pelo excelente trabalho que fazem há tantos anos. E esperar. Esperar os próximos 16 — 2016 e o dia 16 de agosto (acho que é 16), quando voltarei à manifestação para expressar meu repúdio a tudo isto que está aí.

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