Solidariedade na Espanha. Ou na Catalunha?

Manifestações de solidariedade sempre me comovem. A Espanha vive hoje, uma crise…, poder-se-ia dizer (PODER-SE-IA? Oh, meu Deus, …será que peguei a mania presidencial? rs). Mas, sem temer (ih!) volto a falar de emoção e solidariedade.

Sim, a Espanha passa por uma crise de identidade, que não é nova, uma tensão que se arrasta por muitos anos. De um lado, os chamados independentistas, que querem separar a Catalunha da Espanha e formar um novo país. De outro, os que são contra a mudança e querem manter a situação atual.

E qual a origem do problema?

Bom, a Espanha está dividida em 17 comunidades autônomas, mais ou menos como os estados brasileiros, com a diferença que as comunidades têm mais autonomia política, econômica, jurídica e, dizem os separatistas, sua Cultura é genuinamente catalã, e em muitos pontos diferente da cultura espanhola, a começar pelo idioma.

A figura das comunidades autônomas surgiu na Constituição de 1978, após o final da ditadura franquista, e o objetivo era descentralizar o poder após tantos anos de repressão. As Comunidades Autônomas têm legislação própria, feita pelo seu parlamento, o Parlament e um Governo, o Generalitat, que tem um presidente.

Nós, brasileiros, compreendemos o falar do espanhol de Madri, às vezes até arriscamos um portunhol, que é compreendido por eles. Mas duvido que algum de nós consiga compreender com a mesma facilidade o catalão. Quer um exemplo?

O que seria para você chorizo? Seria fácil deduzir do espanhol – linguiça, chouriço, não é? Pois em catalão pode ser também “botifarra

Se um espanhol disser que bebeu um suco de tomate, você compreenderia logo! E se ele, em catalão, disser que comeu tomàquet ? Já complica…

E por ai vai… A palavra livre, em espanhol libre e em catalão lliure.

Diz-se fechado em português, cerrado em espanhol, tancat em catalão.

E queijo? Em espanhol a gente entende… Queso. Mas em catalão, é formatge.

Algumas palavras, se você fala Francês, pode até sacar alguma coisa, porque formatge parece com fromage.

Agora, dizer meu nome assim: “Em dic Daisy”… Ah, fica esquisito, quem vai adivinhar que estou dizendo “Meu nome é Daisy”?

Mas, caros amigos, estou contando toda essa história, sem entrar no mérito da questão, para demonstrar que a diferença a que os catalães se referem é diferença mesmo, não é a mesma situação que, no passado, vivemos aqui no Brasil quando alguns estados do Sul queriam separar-se. Usei a questão do idioma para que se perceba que o conflito tem raízes antigas, visíveis e profundas.

Em outubro foi realizado um Referendum entre os catalães, e o resultado foi 90% a favor da separação, mas estive lá em novembro e do assunto só restavam sinais de patriotismo do tipo bandeiras nas varandas.

Pois é, o conflito está latente, mas vi muitas manifestações como as da foto em que lemos “Refugiados, sejam bem-vindos”. Donde se conclui que

– ESTARMOS VIVENDO PROBLEMAS NÃO IMPEDE QUE TENTEMOS AJUDAR A RESOLVER O PROBLEMA DO OUTRO.

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