Teatro, amizade e solidão

Esta semana eu e uma amiga saíamos do teatro quando encontramos outras duas amigas.

Não pensem que nosso assunto foi comentar a peça — aliás, excelente, a princípio despretensiosa, mas que nos tocou profundamente, pois faz uma viagem pela MPB.
Chama-se “ Bossa Nova”  e revisita toda aquela época brilhante em que Tom e Vinícius deitavam e rolavam com seu talento, produzindo canções que até hoje emocionam o mundo.

Mas nosso assunto foi… solidão.

As duas amigas que encontramos nos diziam que estavam naquele dia começando o Projeto das Viúvas.

E o que seria tal projeto? Elas combinaram que não ficariam mais sozinhas nas tardes de domingo, tentando aquecer seu ninho vazio.

Esse encontro me fez voltar no tempo e reviver a época em que também tentei “aquecer” meu ninho vazio.

Tardes de domingo são emblemáticas para os solitários, não sei bem por quê. Mas, aos domingos, parece que a solidão bate mais forte. “Domingo é o dia de estar em família”, quantos de nós ouviram isto na infância… esta pode ser uma razão.

Mas seja por que razão for, a história do projeto das amigas fez relembrar quanta dor senti até perceber que ninhos vazios só podem ser aquecidos quando nos libertamos do passado, para poder viver integralmente nosso presente.

Pois é, incrível como nós, pessoas que nos julgamos fortes, informadas, antenadas, enfim, preparadas para a vida e suas armadilhas, não nos preparamos para estarmos sozinhas. E, mais incrível ainda, como usamos recursos mil para manter a nossa cria junto a nós. Recursos que vão desde o quase obrigatório “almoço de domingo na casa da mamãe” até as chantagens emocionais de tudo quanto é tipo, das mais requintadas às mais pueris.

As duas amigas escolheram o caminho da saúde. Escolheram viver em plenitude, para que os outros também possam viver suas vidas plenamente, sem obrigações outras que não a do afeto.

Se cada solitário ou solitária adotar o mesmo recurso, quem sabe acabarão se esbarrando em algum teatro da vida, com a chance até de pisar em novo palco, reabrir a cortina e encenar uma nova história?

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