Tudo que o Dinheiro Pode Comprar…

Desde a primeira vez que ouvi essa frase, há muitos e muitos anos, confesso que fiquei muito impressionada. Acredito mesmo que ela tenha me impactado tanto que certamente influenciou muitas das minhas atitudes.

Dinheiro compra tudo? Não, não compra Felicidade, embora compre momentos felizes.

Dinheiro compra tudo? Não, não compra amor, embora possa comprar boas e belas companhias.

Dinheiro compra tudo? Não, não compra saúde, embora “compre” Planos de Saúde caríssimos, o tipo de item que pagamos e ficamos felizes em não precisar usar.

A óbvia reflexão que se coloca é que o dinheiro compra tudo o que for de material. O que seja imaterial, entretanto, só acontece se for conquistado. Conquistado com boas ações, e aqui não me refiro a nenhum ato samaritano, mas ao tipo de ação construtiva, que realiza o presente com o olho no futuro e nas consequências do tempo “hoje”.

A saúde também muitas vezes não depende exclusivamente de ter-se ou não dinheiro, embora muito possa ser feito na prevenção das doenças.

“Tudo o que o dinheiro pode comprar sai barato.”

Passam-se os anos e a ela voltou, em conversa com meus netos, e desta vez foi o Vinicius que levantou a questão. O tema surgiu a partir de conversa sobre o que estamos vivendo hoje em nosso país, quando vemos pessoas que se vendem em troca de dinheiro, e colocam o poder ao qual tiveram acesso, não a serviço do Brasil e do povo brasileiro, mas a serviço de interesses particulares e sempre escusos.

A conversa com Vinicius me trouxe um novo ângulo para a questão, resultante do belo gesto que comentávamos. E tal gesto veio, muito apropriadamente, do ineditíssimo Papa Francisco, que abriu o seu “castelo”, oferecendo um lugar para acolhimento de mendigos na própria Basílica de São Pedro.

Conversando sobre o assunto, comento o que sinto ao ver mendigos. Mendigos me causam diferentes sensações e emoções – às vezes medo, às vezes cautela, sempre compaixão. No Japão já me causou espanto – eu nunca poderia realizar, no meu universo tupiniquim, que aquele homem sentado na escada do prédio, chapéu na mão como em plena meditação, estava mesmo era pedindo esmola e só me dei conta disto porque fui informada. Ele apresentava muita dignidade, sua aparência era de gente “normal” como qualquer um de nós – eu e você que me lê agora. Limpo e agasalhado, não tinha o olhar esgazeado dos que sentem fome. Esta foi outra passagem de minha vida que muito me impressionou, muito me marcou.

No mês passado, o papa Francisco manda colocar nos banheiros existentes dentro da Basílica, chuveiros para os mendigos, um lugar onde podem tomar seu banho, lavar sua roupa e ter serviços voluntários de barbearia e cabeleireiro.

Até aí, tudo bem, a Igreja Católica é rica o suficiente para arcar com a despesa que, aliás, é mínima perto da fortuna do Vaticano, e o gesto em si é ainda muito pouco, não é este o meu ponto. O que estou trazendo para vocês é o contra argumento daquela frase, antiga, que tanto me afetou.

Sim, tudo o que o dinheiro pode comprar sai barato. Continuo acreditando na máxima, só que agora abri o leque de opções – o dinheiro pode, inclusive, comprar dignidade, como fez Francisco. Ele comprou autoestima e deu de presente às pessoas, embrulhando tudo na capa do Projeto cujo nome é “Dar dignidade”.

Mais uma bola dentro, Francisco.

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