Um Registro de Beleza e de Arte

Esta semana, aproveitando o feriado fui assistir ao filme “Sete Dias em Entebbe”.

O filme, dirigido por José Padilha, é baseado em fato, o sequestro – em 1976 – do Air France Flight 139 que estava indo de Tel Aviv a Paris. O roteiro foca a ação de Israel visando resgatar os passageiros israelitas que estavam no voo.

Não se preocupe, não vou dar spoiler, porque acho que o filme merece ser visto. Merece ser visto não por causa do roteiro, não por causa da causa – parece que não interessa a ninguém que a questão Israel x Palestina seja resolvida. É chumbo pra todo lado, e enquanto isto a questão permanece, vende-se armamento e vai morrendo gente de ambos os lados. Quase tão simples assim.

Não vou entrar nessa briga porque não tinha memória do fato, e o roteiro me pareceu um pouco parcial, não acredito que terroristas tivessem atuação que em alguns momentos parece até ingênua, quem se aventura a sequestrar um avião não é um ingênuo, nem despreparado, faça-me o favor.

Mas eu lhe digo que o filme merece ser visto pela sua direção e também pela sensacional fotografia, dirigida por Lula Carvalho.

Há momentos de tal beleza nas imagens que provocam intensa emoção. Ressalto as cenas em que é feito o contraponto entre a “guerra” e a dança.

As cenas se intercalam – ora o movimento dos corpos no ballet, ora o movimento dos corpos na ação de sequestro. Incrivelmente parecidas, de uma plasticidade e beleza imensas, o choque e o afago se sucedendo, fazendo com que a sua mente e a sua emoção se mobilizem, e essa mobilização provoque a reflexão que pode ser expressa em apenas uma palavra – POR QUÊ?

POR QUÊ?

E quando você sai do cinema aquelas cenas o seguem, como registros de pura beleza e Arte.

Que não é a arte da guerra.

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