Vivendo e aprendendo a jogar

daisy26octQuantas vezes nos lamentamos por coisas ou situações que dias, meses ou anos depois, percebemos como eram insignificantes diante de uma existência? Vejam bem, não estou dizendo diante da vida, mas da existência.

Sei que a doutrina espírita considera didaticamente a diferença entre uma e outra. Segundo os espíritas, teríamos varias existências, mas uma só vida. Cada existência teria como objetivo o aperfeiçoamento no plano material e espiritual, me parece que é isso.

Este conceito deve ter ficado de alguma forma guardadinho em algum canto da minha memória nas tantas peregrinações que fiz por religiões várias, quando ainda acreditava que as soluções estão em outro lugar e não em nós mesmos.

Enfim, eu quero mesmo é, diante dos horrores que vemos a toda hora nos jornais, na TV, nas ruas, sugerir que você, que lê minha crônica neste momento, pare por uns poucos minutinhos e tente lembrar-se dos momentos felizes que teve. Talvez até esteja vivendo um destes agora, mas pode ser que a contaminação por notícias ruins e com a desesperança esteja tão grande que não abra espaço para os momentos mágicos da vida.

E não, não me refiro aos momentos em que ganhou mais dinheiro, ou nos quais recebeu mais elogios, ou quando esteve naquele lugar que todo mundo quer conhecer… Nada disso. Estou falando é de um voo de pássaro que você podia ter visto esta manhã, da atenção que podia ter dado ao sorriso que uma criança te ofereceu, ou quem sabe, ligar para aquela pessoa amiga que vive demonstrando que amizades verdadeiras são eternas. Esses são momentos mágicos. Pode parecer ingenuidade, pieguice para alguns, mas garanto que descobrir momentos mágicos é um exercício mais reconfortante e maravilhoso do que caçar Pokemons. E olha que acho o Pokemon Go o máximo!

Estou falando é de perceber, de verdade, que os momentos felizes não estão apenas em fatos grandiosos. Estou dizendo é que, no Pokemon Vida, podemos fabricar alegria, satisfação, e assim obter a energia para usufruir da generosidade da vida.

É isso: aprender a jogar o Pokemon Vida é um exercício delicioso, que nos energiza e fortalece.

Tive um sansei de yoga que me deu uma tarefa: observar um amanhecer e anotar cada mudança que percebesse. Levei a sério o exercício. Afinal, o japa tinha quase oitenta anos, e corpo e mente de quarenta, ou trinta, sei lá. Aquele homem era uma força da natureza.

Então anotei. Primeiro, ainda meio escuro, o vento fraco fez um leve balanço nas árvores, a seguir, um voo de pássaro, depois, o Rei Sol deu seu primeiro brilho, e foi pouco a pouco assumindo o seu reinado naquela manhã. Levei minhas anotações para o instrutor, ele me olhou, e perguntou “O que aprendeu com isso?”

E agora repito o que disse ao Toshiro: aprendi que a vida não se faz de repente, que o sol não chega com estardalhaço, que a primeira luz do dia é fraquinha, mas o brilho vai aumentando à medida que as horas passam. Simples assim.

Simples?

Não, não é simples. Mas é verdadeiro, e traz bons resultados para quem quer aprender a jogar o Pokemon Vida.

 

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