ADOLESCENTES FOREVER… hummmm….

Quando Bob Dylan escreveu Forever Young foi magistral para expressar seu sentimento. No refrão ele diz:

“Pra sempre jovem,
Eu quero ser jovem para sempre
Você quer mesmo viver para sempre?
Para sempre jovem.”

Na letra ele mostra a intemporalidade, a incerteza e a impermanência das coisas. Entretanto, outro dia, num restaurante, eu ouvi de um jovem a seguinte frase “Eu, trabalhar pra quê? Forever Young, bro, eu quero é ser feliz!”.

Como assim? E, mais uma vez, lembrando a intenção para mim evidente na expressão de Dylan, registrei como é perigoso esse ofício de escrever, especialmente quando deixamos que jorrem as palavras sem que passem pelo crivo da reflexão.

E isso é ruim, pergunto a mim mesma.

E me respondo: como em tudo na vida, o lado A da questão – o jorro inconsciente das palavras, penso eu torne o texto mais vibrante, mais entusiasmado, mais verdadeiro. O lado B, que seria o da reflexão em cima do que foi escrito, seria uma espécie de autocensura, e nesse caso o texto provavelmente está menos verdadeiro.

??? Bom, tenho cá minhas dúvidas sobre o assunto.

Só não tenho dúvidas é sobre a intenção poética de Dylan. Quando ele escreveu Forever Young certamente não estava propondo o que o moço comentou lá no restaurante. Aliás, para ser correta, eu nem sei se o rapaz sabia a origem da expressão, se sabia de Dylan, do significado da letra, ou se estava repetindo a expressão, tal um papagaio treinado que conseguiu afinal, memorizar o som.

À medida que o tempo passa eu tento evitar mais e mais fazer juízo das pessoas, mas quando estou escrevendo é inevitável ou o texto sairá sem vitalidade e sem alma.

Ah, pobre rapaz do restaurante, seria ele um daqueles…? Sim, todos nós conhecemos um exemplo de jovens que tem tudo, que com suas roupinhas de marca, as boas viagens, colégios caros, o melhor de tudo, mas no discurso são de uma singeleza e de um desapego franciscano…

Seria ele um daqueles que passam a vida sentindo-se adolescentes pela simples razão de que não conseguiram crescer emocionalmente e, sendo assim, não descobriram a que vieram a esse Mundo Maravilha? Pois é… a imagem que me vem à cabeça quando vejo pessoas confusas, que não aceitam (e tratam) sua confusão para então escolher e elaborar um plano de vida para si, é a de um automóvel que segue desordenado pelas estradas, desce ladeiras a galope, mas só não conseguem subir, e eu lembro que este verbo também tem o sentido de evoluir, ascender… Porque só se ascende com esforço consciente, tal como o carro. Descer ele desce, mas subir…

Ele me pareceu confuso, mas… Sei que fiquei enormemente mobilizada quando a senhora ao lado, talvez sua mãe, lhe perguntou numa voz fraquinha e hesitante: “Você ainda se lembra da sua idade?” Fez uma pausa e, nada sendo respondido, acrescentou: “Você já tem quarenta anos…”

Fiquei pensando “esse rapaz deveria procurar o resto da letra de Dylan…”
Porque a música diz assim:

“É tão difícil ficar velho sem um motivo,
Eu não quero perecer como um cavalo moribundo
A juventude é como diamantes ao sol
E diamantes são eternos.”

Deixe um comentário!