Anonimato? Já era

Agora é a Era do Grande Irmão.

Não sei se você, caro leitor, leu o livro 1984, de George Orwell. Eu li. Li nos anos 80, mas o livro foi lançado no final dos anos 50, me parece. George Orwell era um escritor de ficção.

Ficção? Foi o que pensei na época, mas com o passar do tempo veio a certeza de que ele era sim, um visionário, e dos bons. Quase um segundo Nostradamus.

Lembrei-me desse livro ao assistir ao documentário da Netflix – O Dilema das Redes, excepcional documento que nos mostra, didaticamente, o que acontece quando utilizamos a mídia social impensadamente.

O que me fez ter vontade de divulgar esse material é que ele tem credibilidade. Não vou dar nenhum spoiler, porque sugiro que você veja o documentário, mas citarei algumas afirmações que retirei em citações fiéis desse material.

Para início de conversa, apresentam uma frase de Sófocles “Nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição”. UAU!

E desta vez a maldição é tão forte que, parece, bateu pesado na consciência de ex-colaboradores, diretores, alguns do Top management de empresas como Facebook, Twitter, Instagram, Pinterest, e eles resolveram explicar para o público consumidor a que situações as pessoas se expõem quando são “usuários dependentes” da mídia social.

Devo acrescentar que os depoimentos, a meu ver, não demonizam as redes, mas demonstram didaticamente a “mágica” existente na mídia social.

São apresentados depoimentos de cientistas, professores universitários, mas vou citar apenas alguns nomes dos que compartilharam a experiência que tiveram na indústria propriamente dita.

Jeffrey Seibert – ex-executivo do Twitter.

Sandy Parakilas – ex-gerente de Operações do Facebook e ex-diretor de Produtos do Uber.

Tim Kendall – ex-executivo do Facebook, ex-presidente do Pinterest e atual CEO do Linkedin.

Justin Rosenstein – ex-engenheiro do Facebook e do Google.

Chamath Palihapitiya – ex-VP de Crescimento do Facebook.

Guillaume Chaslot – ex-engenheiro do YouTube.

Aza Raskin – Firefox & Mozilla, ex-colaborador.

As mulheres, como sempre em total minoria…, realço o que disse Bailey Richardson – uma das primeiras colaboradoras do Instagram – “O algoritmo pensa sozinho. Mesmo que alguém o tenha criado”. Pensem nisso.

Para o final, destaco a figura de Tristan Harris, ex-designer ético do Google, e praticamente quem conduz todo o desenvolvimento do documentário.

Eis aqui algumas de suas afirmações: “Nós, da indústria da tecnologia, criamos ferramentas que desestabilizam e destroem a estabilidade da sociedade”.

E cita o que chama de “capitalismo da vigilância”, ou seja, o capitalismo obtendo lucro pelo rastreamento infinito do que cada pessoa faz, sendo monitorada por empresas de tecnologia.

Bom, Orwell tinha razão, o Grande Irmão está por aí, em cada celular, em cada PC, em cada notebook. E nós, vamos deixar de consumir a mídia social? Eu, pelo menos, não vou, mas gosto de saber com o que estou lidando, para ter atitude adequada. E como tenho a maior consideração por você que me dá o privilégio de ler minhas crônicas, passo essa informação reiterando que o documentário – O Dilema das Redes – é imperdível.

Bom, para encerrar, adianto a vocês que da crise de consciência nasceu o “Center for Humane Technology”. Só nos resta acompanhar para ver se farão diferença nessa bagunça toda.

# olho nas fake News
# cuide-se, o povo bobeou e os índices de “sabemos o quê” já subiram.

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