Humildade

Recentemente publiquei em meu site uma crônica de título “Plástica de Alma” e Madeleine Soares fez um comentário bem interessante. Dentre outras considerações dizia: “coisa difícil essa tal de humildade”.

Madeleine tem razão.

Vamos começar por São Tomás de Aquino, “A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria”.

O conceito de humildade vem sofrendo ao longo do tempo interpretações diferentes, inclusive se coloca a humildade – que seria uma virtude, como uma desqualificação. “Fulano é humilde”, e humildade passou a ser classificação de status social.

Também, cada vez mais o culto ao Poder e a tudo o que é material cresce a cada dia, embalado pela mídia que faz do culto ao dinheiro e ao corpo uma questão de vida ou morte… Devo dizer que não faço da mídia um algoz – os meios de comunicação exibem o que as pesquisas demonstram que as pessoas querem ver. E não muitos querem saber de suas próprias limitações, e muito menos considerar as limitações do outro.

Alguns vendem a ideia de que nosso tempo é a Era da facilidade. Tudo bem para quem quer apenas dinheiro fácil, ou quer um corpão malhado. No plano material, certíssimo.

Só que não é fácil cultivar virtudes sem conquistá-las e, mais ainda, lutar para que elas permaneçam. A humildade é uma dessas virtudes.

E quem não vive apenas do que “parece ser”, mesmo que maquiado por produtos mil ou palavras bonitas, consegue ter humildade, que começa com o autoconhecimento.

O autoconhecimento dos próprios defeitos e dificuldades nos traz a consciência das nossas limitações, e passamos a ver com mais naturalidade e compaixão os defeitos e as dificuldades do outro, e aqui não se trata de sermos “bonzinhos ou boazinhas”. Isso tem a ver com sabedoria, e quem tem sabedoria de verdade sabe que estamos todos nesse grande Barco, uns navegando na primeira classe, outros na segunda e alguns lá no porão. De qualquer forma, estamos no mesmo Barco…

E que não se confunda cordialidade, honestidade e simplicidade com “humildade”. Humildade é respeito à humanidade de cada de nós, imperfeitos como o ser humano é. Como todo ser humano é, como eu sou e você também. O bacana é conseguir mergulhar cada um em si mesmo e descobrir o que pode fazer para evoluir e se tornar GENTE. Gente que mereça respeito e amor.

Que possamos utilizar nosso Tempo para tornar cada dia mais digna nossa existência, sem pensar que somos mais, que somos melhores, que somos os reis e rainhas do pedaço. Nesse Reino, todos somos majestades.

Quanto a defeitos, Dalai Lama diz “É melhor perceber um defeito em si mesmo, do que dezenas nos outros, porque os seus, você pode mudar”.

Como sempre, ele falou e disse.

 

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