A Paixão pelo Futebol – O Fenõmeno

Sempre fico muito impressionada quando vou a um estádio de futebol. Para mim é um lugar onde as pessoas voltam aos seus instintos mais primários da emoção, a paixão pelo futebol vai muito além de um simples esporte; é um fenômeno cultural, social e neurológico.

Vamos ver: a emoção produzida num jogo ativa circuitos neurais complexos no cérebro. A possibilidade de uma derrota dispara adrenalina e cortisol, mas a comemoração de um gol libera um vendaval de dopamina e endorfina, trazendo sensação catártica de alívio e prazer. Torcer promove a liberação de oxitocina, o hormônio responsável pelos vínculos sociais, o que faz com que pessoas que nunca se viram antes, tornem-se “companheiros” na dor da derrota ou na alegria da vitória.

Nos estádios todos somos iguais – do rico ao pobre, do gênio ao analfabeto, do professor ao aluno, do juiz ao ladrão. Se as pessoas estiverem vestidas com a mesma camisa de time, sentem-se mais iguais ainda. É como se assumissem outra personalidade, sem o peso do papel social e a responsabilidade. Por quê? O ser humano tem como necessidade básica o pertencer a um grupo social, pertencer a uma tribo como ocorria nos primórdios da história da humanidade. Ao entrar no estádio, ao ver pessoas vestidas da mesma forma, sofrendo junto na espera de um gol, festejando aos berros a vitória, renasce o homem que vivia nas tribos.

O ser humano é um ser gregário, e no estádio ele encontra a tribo e se iguala, se liberta da sua personalidade, volta às raízes, não tem idade.

É como se fossem todos crianças, porque na verdade a emoção do futebol, esta grande emoção, é uma das poucas permitidas às crianças e não só aos adultos, o que quer dizer que ela se instala no ser humano muito antes da emoção dos outros esportes, que talvez tenham regras mais difíceis, sejam menos populares, ou precisem de equipamento inacessível à criança.

Para jogar futebol uma criança precisa apenas de ter vontade e de fabricar uma bola que pode ser de meia, pode ser de papel, pode ser do que a imaginação da criança resolver arriscar, a criatividade da criança é ilimitada. No futebol voltamos a ser crianças.