Hobby? Pode ser

A cerâmica e a escultura são para mim uma válvula de escape – me relaxam, absorvem minhas tensões. Há um outro grande benefício que me traz o “mexer com as mãos’. 

Ah, desta vez minhas mãos não são usadas para tamborilar as teclas, frias teclas do computador que eu tenho que aquecer com letras e palavras, desenhando emoções.

Desta vez minhas mãos são usadas para produzir algo completo, se é que você me entende… digo completo porque a completude da obra que começa num simples pedaço de barro é imediata e só depende de mim; ao outro cabe apenas olhar, ou fazer algum uso da peça. 

Por outro lado, a obra literária que produzo, não começa e termina em mim.  O texto só tem vida quando sai das mãos de quem o escreve e consegue nascer no olhar de quem o lê.

Quanto à emoção, nunca é a mesma. Tendo o controle nas mãos como é o caso da cerâmica, a emoção é bem menor, a busca é mesmo pela técnica já que a argila não resiste e toma o formato que minhas mãos lhe oferecem. Já a escultura é como a produção de um personagem – eu o desenho, mostro suas características, e às vezes levo um susto porque o personagem sai das minhas mãos, se liberta, faz sua própria caminhada, e, numa grande ironia, diz a quem o criou: “agora posso caminhar sozinho, você já fez sua tarefa, só lhe resta me seguir”… e lá vou eu, adivinhando seu pensamento, seguindo os passos que a lógica daquele personagem me indica.

Já sei – você quer saber o que me dá mais prazer, não é? Pois lhe devolvo a pergunta: a você, o que traz mais satisfação na vida? O que pode controlar, ou o que sempre surpreende? 

É. Não deve ser um hobby, está mais para treinamento de Vida.  

Por causa disso, lhe apresento minhas peças desta fornada de fevereiro.

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