Cristo olímpico

cristo olimpicoA chuva que banhou o Rio ao final das olimpíadas tem um nome e tem uma razão. O nome? Saudade. A razão? Esperança.

O que me restaria fazer a não ser chorar?

A gente chora quando vê um povo sofrido, enganado, e que ainda não encontrou força suficiente para romper com esta saga e buscar o seu destino, seu glorioso destino. Mas a gente chora também de emoção.

Sei que uma Olimpíada não é salvação de pátria nenhuma, mas pode ser uma bela referência. Pode nos dar a dimensão da nossa capacidade, demonstrar o tamanho da nossa força e a beleza de nossas atitudes.

Garanto que a maioria dos que vieram para o Rio de Janeiro nessa competição saíram com uma ideia belíssima da Cidade Maravilhosa, impactados com a beleza da paisagem e com a sensibilidade e gentileza de seu povo.

Como em qualquer lugar do mundo, ocorreram percalços. Como em qualquer lugar do mundo, um ou outro saiu reclamando de alguma coisa. Só não puderam criticar a beleza que vejo aqui a meus pés. Só não puderam criticar o talento dos artistas que organizaram as cerimônias de abertura e de encerramento. Só não puderam diminuir a generosidade com que foram recebidos.

Um evento desses pode e deve sensibilizar o povo brasileiro, e se você pensa que estou exagerando, peço-lhe que não seja tão exigente. Peço-lhe que acredite, que acredite na grande capacidade deste povo, que só precisa ter consciência do seu poder, que só precisa saber que com suas escolhas pode vir a mudar seu destino.

O Rio foi, durante essas semanas, a capital do mundo. Infelizmente, o mesmo mundinho que assistiu ao evento em todas as horas, dia e noite, não vai dar a mesma atenção aos jogos que se seguirão, os paraolímpicos. Mas o Rio de Janeiro pode mostrar que não tem a mente reduzida, e que vai prestigiar da mesma forma a competição que se segue às olimpíadas.

Durante os jogos paraolímpicos é que o Rio de Janeiro pode mostrar ao mundo que tem pernas e fôlego suficientes para se tornar um grande marco no turismo mundial e realizar a sua vocação de Cidade Maravilhosa, que atrai e encanta a todos, sem distinção.

De minha parte, farei o possível para que isto aconteça. E você aí, vai fazer a sua parte?

Livro – Sobrenome? Mulher.

Livro - Sobrenome? Mulher.
Livro – Sobrenome? Mulher.

 

A maior alegria para uma escritora é ver sua obra lida. Por essa razão farei promoções de um ou dois dias para os livros que eu mesma coloco na Amazon. O conto “Sobrenome? Mulher.” vai inaugurar a série.

Sinopse: “Um conto que mostra uma história que poderia estar acontecendo em qualquer lugar do mundo. Não é a estória de uma mulher, é de todas elas.”

 

 
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A família olímpica

camisinha1Conhecer o dia a dia de uma Vila Olímpica deve ser bem interessante: um relacionamento entre iguais, atitude cordial, experiência enriquecedora e coisa e tal…  Você pode até achar inadequada a minha ingenuidade. Afinal, já passei do momento ingênuo, embora esteja agora vivendo intensamente todos os momentos olímpicos. Só que, voltando à ingenuidade, estava eu imaginando como deve ser incrível a convivência entre culturas tão diferentes, em situação tão inusitada como uma Olimpíada — rivais habitando o prédio ao lado, se esbarrando pelo caminho, sabendo que nos dias seguintes acabarão se encarando com olhar de fera, precisando se impor diante do outro, e aí, é claro, a intimidação rola mesmo, atletas iniciantes encontrando seus ídolos no corredor… Dona Ingenuidade até me soprou ao ouvido que, eventualmente, atletas rivais repartem mesas no refeitório ou restaurantes da Vila.

E a preparação física e mental dos candidatos a campeões, como é que fica na Vila?

Afinal, paguei para ver — não in loco, porque o acesso às instalações da Vila é mais proibido do que entrada de criança em filmes como aquele dos “Cinquenta Tons”, você sabe de que cor. Lá não fui, mas fui para a internet, que desmoralizou a história de que você precisa ir aos lugares para saber como são. Enfim… Tenho que confessar que minha cara caiu no chão.

O informativo do Terra cita matéria da Superinteressante, dizendo que o aquecimento de atletas em vilas olímpicas é o exercício mais antigo que se conhece:  sexo. A matéria diz que é tradição nas vilas olímpicas o clima de absoluta paquera e de livre pegação entre atletas durante os jogos. A matéria segue revelando que, principalmente ao fim das Olimpíadas — quando a maioria dos presentes já fez sua parte como atleta — a vila se transforma em uma festa sem fim. Para justificar, citam que em Sidney, no ano 2000, 70 mil camisinhas se esgotaram, e tiveram que encomendar mais 20 mil.

Ah, agora entendi por que o Comitê Olímpico distribuirá, segundo consta, 450 mil camisinhas durante os jogos. É, para atletas, tudo o que se refere ao seu corpo é artigo de primeira necessidade.

E, como em toda família, existem os xodós; as delegações cujos crachás exibem garfo e faca cruzados têm direito a um refeitório diferenciado. Hum… Entendi. O lado bom é que não vai haver desperdício, caso prefiram os sandubas e sorvetes: os alimentos que sobrarem serão distribuídos entre os moradores de rua… Santa Olimpíada!

Bom, satisfeita a minha curiosidade, dona Ingenuidade foi pro brejo, e voltei a pensar na relação entre olimpíada e família, e foi para o time do Bernardinho que voltei minha atenção.

Confesso que me incomodava (muito) o jeito autoritário (quase grosseiro) com que Bernardinho, técnico da seleção de vôlei masculino, tratava seus pupilos. Só que, no jogo da semana passada contra a França, fiquei intrigada com sua serenidade, e eu diria que ele parecia quase humilde. O time parecia não dar bola (sem trocadilho, por favor) para suas ordens, e fiquei bem confusa. Ao final do jogo, com uma suada vitória, Bernardinho se revelou numa entrevista. Suas palavras foram mais ou menos assim: “Temos que perceber que as gerações mudam, e se dermos ordens, eles viram pra gente e dizem ‘Eu é que sou bom nisso, e sei o que faço’”. UAU! Que mudança.

E fiquei eu de cá, pensando em como seria bom se todos os pais e mães conseguissem “liberar” seus filhos para a própria vida, sem terem a pretensão de funcionar como coaches da vida alheia. Agora, vou lhes dizer: ô coisa difícil encarar nossas “criaturas” e entregar-lhes a chave do próprio destino.

Difícil, mas absolutamente necessário. E como é bom quando se consegue.

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A marca das mulheres

Alt-Rafaela-Silva-gana-la-primera-medalla-de-oro-para-Brasil-en-los-Juegos-de-Río-2016-EFE-EPAConfesso que eu não fazia muita fé no efeito desses Jogos Olímpicos do Rio. Não acreditei que a organização fosse satisfatória, que as obras não estariam terminadas, enfim, sucumbi a toda sorte de pessimismo que, aliás, eu via muitas pessoas manifestarem.

Que engano! Logo na abertura, que show! Inesquecível, lindo, completamente diferente de todos os que vi até agora: de sensibilidade única, beleza sem par, plasticamente irrepreensível, bom gosto, artisticamente Nota 10.

A cidade está energizada, bonita, as pessoas passam ao nosso lado sorrindo. Parece que se apropriaram de toda a energia olímpica.

Por outro lado, vemos se repetirem as mesmas lamúrias de sempre, dos que não conseguem mostrar, no seu desempenho, o porquê de tanta fama e prestígio. Sim, estou falando do nosso time de futebol. Hoje assisti, perplexa, ao treinador da equipe declarar que “Temos que assimilar as críticas e mudar”.

Mudar quando, cara pálida? Quando a competição acabar? Quanto tempo vai se passar para que percebam que, especialmente no esporte, não se pode ficar dormindo em cima dos louros, ainda mais na competição que nasceu na Grécia?

Mas o povo está vendo, está sacando. E homenageia a raça dos que reagem à dor e à dificuldade com coragem e brio. E aí, nós temos que destacar as mulheres.

Vejam só o nosso time de vôlei feminino, bicampeão olímpico e mostrando o porquê deste bicampeonato; as ginastas, a cada dia mostrando sua evolução, as moças do handebol, dando o troco ao time da Romênia, que desclassificou o time brasileiro na última olimpíada; o time de futebol feminino, com a melhor jogadora do mundo, Marta, se desfazendo em suor, mas mostrando toda a sua técnica e sua garra. Este time, ao contrário do time masculino, não treme diante do adversário, não fica destrambelhado e se esquece de mostrar o que sabe fazer, a tal ponto que se ouvia claramente a torcida pedir ao treinador no jogo do futebol masculino: “Põe a Marta, põe a Marta…” Foi incrível isso.

Outra que marcou nesta olimpíada, pela ousadia, foi uma esgrimista representando os Estados Unidos, Ibitihaj Muhammad, que se apresentou com o hijab, véu muçulmano que esconde os cabelos. Mulher valente essa… em tempos de terrorismo e preconceitos, apresentar-se deste modo!

Agora, quero mesmo destacar é a Rafaela Silva, menina da Cidade de Deus, aquele bairro pobre do rio, menina que foi desclassificada na Olimpíada de Londres e sofreu uma campanha acirrada, discriminatória, preconceituosa, com mensagens tão agressivas… Rafaela entrou em profunda depressão, mas deu a volta por cima e sua foto está aí na crônica, para quem quiser ver.

Isso aí, Rafaela, morde mesmo, morde esta medalha, porque no passado já te morderam por causa dela.

 

Somos todos olímpicos… somos mesmo?

daisy3augAfinal, a Olimpíada chegou ao Rio, entre tapas & beijos: o povo reclamando do transtorno das obras, dos desvios de trânsito, da incrível quantidade de dinheiro que se gastou no preparo da Cidade Maravilhosa para o evento, talvez o evento mais “mundial” que existe; o prefeito “da paz” dizendo coisas de guerra, fazendo insinuações e ironias, e na sequência se arrependendo, felizmente…

O momento político brasileiro não poderia ser pior, com a Lava-Jato lavando um sistema corroído pela corrupção, um presidente da Câmara apelando para todos, TODOS os expedientes possíveis pensando que poderia… (seria isto inocência ou desvarios de poder?) Enfim, pensando que sua peneira teria condição de tapar o sol. Só que este glorioso sol não há peneira que tape, e o Exmo. Sr. Dr. Sérgio Moro que tenha muita energia e saúde para enfrentar, como vem fazendo, as unhas do Poder, que tentam arranhá-lo o tempo todo, sem conseguir.

Sem dúvida, os cariocas terão benefícios com esta edição dos Jogos Olímpicos, como o sistema de transporte — trem, BRT, metrô e ônibus — ampliado, integrando praticamente toda a cidade, equipamentos para segurança de última geração, revitalização da zona portuária, reconhecimento de bairros considerados periféricos como novas possibilidades para centros de esporte e de lazer.

Se observarmos as edições dos Jogos Olímpicos, veremos que sempre foram realizados em países com um desenvolvimento que era anterior aos Jogos. A exceção que conheço aconteceu em 1992, em Barcelona, que apesar de estar num país desenvolvido era uma cidade decadente até essa época. Depois dos Jogos, virou uma das cidades mais procuradas pelo turismo mundial.

O legado das Olimpíadas para Barcelona é evidente — em todos os aspectos, inclusive o humano — porque, como o espanhol não é bobo,  soube faturar o prestígio dos Jogos; o povo catalão tratou de aprender inglês e de aprender também a tratar bem os turistas. Bairros antes totalmente decadentes viraram points de interesse para o turista, o lugar onde foi construída a Vila Olímpica, antes área industrial abandonada, virou um bairro elegante. E Barcelona “entrou” para o mapa.

Espero sinceramente que a XXXI ª Olimpíada deixe para o Rio de Janeiro um legado semelhante ao que deixou em Barcelona. Seria facílimo para nós se houvesse vontade política e educação do povo. Afinal, Barcelona saiu do zero, o que não acontece conosco.  Ari Barroso, com sua “Aquarela do Brasil”, e Tom Jobim, com “Garota de Ipanema”, já colocaram o Brasil no mapa, embora ninguém tenha conseguido ampliar essa classificação.

Mesmo assim, sou otimista, e fico torcendo para que tudo dê certo, que as únicas bombas sejam as da alegria, que assaltos a estrangeiros só os de coração, e que não se perca a herança olímpica, pela primeira vez acontecendo num país da América do Sul.

Eu, de minha parte, sigo fazendo o meu esporte preferido, do qual já tive a alegria de ganhar inúmeras medalhas e no qual continuo treinando para ver se, um dia, viro campeã. Este mesmo, você acertou: Levantamento de Neto é o meu esporte favorito.

Boa Olimpíada para todos nós.

 

De raposas e ouriços

foxprocHoje é Dia do Motociclista e, talvez não por acaso, Dia Internacional de Prevenção de Acidentes.

Ô coisa deliciosa essa — montar numa moto e sair por aí. No meu caso, no lugar do carona. Como nunca tive moto, substituí a própria pela bicicleta elétrica, ou a comum, o que, por sua vez, me remete à cavalgada. E concluo que os três me trazem a sensação de que sou poderosa, de que velocidade, distância e medo não são barreiras que me imobilizem.

Lembro-me de grandes emoções que tive quando cavalgava. A mais bizarra, sem dúvida, foi a da raposa.

Estava eu em Secretário, no Rio de Janeiro, e cavalgava pelo campo, muito feliz da minha vida, quando ouvi um uivo — lamentoso, estranho. Não me assustei; ao contrário, fiquei penalizada, porque logo percebi que era algo relacionado a dor.

Diminui a marcha, ia bem devagar olhando ao redor, quando avistei uma raposa, pequena, cor de mate, que agarrava em suas patas alguma coisa que se mexia, e, pela distância, não consegui ter certeza do que era. Cheguei mais perto (estava protegida em cima daquele cavalo alto e forte, o Canela).

E vi, meninos e meninas, eu vi. E me vi diante de uma cena única: uma raposa, que nem olhou para o meu lado porque estava ocupada com um bicho meio que uma bola, e a danada tentando por todos os meios desenrolar aquela bola que, parece, a cada movimento dela, a enchia de espinhos.

A pobre da raposa não desistia, tentava e tentava. Mas não era agressiva, dando mesmo a impressão de que apenas queria abraçar e brincar com sua presa.

Parada estava, parada fiquei, o que me deu algum trabalho, porque cavalos inteligentes sabem que no entardecer animais como o ouriço-cacheiro saem de suas tocas e troncos ocos para caçar insetos. Canela queria mais era se mandar dali.

Parada estava e parada fiquei por uns bons quatro minutos, até que o ouriço conseguiu a proeza de liberar a parte de sua cauda, e lançou-a para o arbusto próximo, surpreendendo a raposinha, que aí sim, deu uivos mais altos e longos, olhando o bichinho se afastar, saltando de galho em galho e sem poder fazer nada para tê-lo de volta.

Esse episódio eu guardo entre os muitos outros que, tendo por hábito me deter na contemplação da natureza, fazem parte do meu acervo de temas para reflexão…

E vamos a ela: quantas vezes observamos pessoas que se comportam como minha amiga raposinha e quantas como o ouriço-cacheiro?

O ouriço, este não ataca nunca, segundo diz o pessoal do lugar. Apenas abre o seu “leque” de espinhos e espera o ataque. O problema, penso eu, é que, como no caso que lhes conto, o “ataque” me parecia simplesmente uma forma de brincadeira, um abraço, um afago. E quem se comporta como o ouriço-cacheiro, perde a oportunidade de receber afeto.

A raposa, por sua vez, me lembra aquelas pessoas que estão vendo que daquela relação não vai sair nada, nadinha, e não desistem, preferindo sofrer cada vez mais arranhos do que  optar por uma saída honrosa.

E é assim que a manhã vira tarde, que a tarde vira noite e que o dia vira outro dia, com novas histórias, novas reflexões, e alguma (alguma? kkk) digressão, por que sair do Dia do Motociclista para falar de ouriços e raposas… pelo amor de Deus.

Enfim, um ótimo dia para os meus amigos motoqueiros, que aproveitem a sua liberdade ao vento, com muito cuidado.

Eu quero ter um milhão de amigos…

amigosDia 20 de julho, Dia Internacional da Amizade.

Especialmente nos dias de hoje, é sempre bom lembrar que temos amigos. Aliás, ter amigos é sempre ótimo — em tempos ruins e em tempos bons. Mas discordo de quem diz que “ter amigos é uma dádiva”.

Para mim, amizade não é um presente, é uma construção. Amizades que se mantêm apesar de falta de respeito, desconsideração e omissão, não merecem este nome.

“Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves”? Sim, é. Mas que estas chaves não sejam outras que não a reciprocidade, a admiração mútua, a persistência. Sim, a amizade verdadeira detém o atributo da resiliência — ela supera pressões, se adapta a novas circunstâncias, lida com problemas. Afinal, estamos falando de seres humanos — mutáveis seres que não precisam ser o tempo inteiro a mesma coisa,  seres que têm opiniões diferentes das nossas e que podem até mudar eventualmente de opinião.

Geralmente, pessoas que não mudam… Conhecem aquele tipo “nasci assim e vou morrer assim”?  Ah, geralmente essas pessoas são umas malas — carregadas de passado, e não há quem goste de carregar mala pesada.

A amizade é cordial, é democrática, excelente exercício de democracia.

Muito me espanta às vezes quando vejo pessoas que encerram amizades antigas, só porque as opiniões não coincidem. Uns tempinhos atrás, quando a Lava-Jato deu início aos trabalhos, assisti com muito espanto pessoas desfazerem amizades porque eram contra (ou a favor) da operação.

Quer dizer: se pensa como eu, é pessoa amiga, se pensa diferente é inimiga? Por favor…  A humanidade já viu esse filme, e o resultado que a História registrou foi intolerância a opções, racismo, guerras.

Vamos viver nossas amizades com generosidade, vamos aprender na diversidade, vamos respeitar o pensamento do outro. Quantas vezes alguém já lhe disse alguma coisa, diferente das suas convicções, na qual você nunca havia pensado antes? E que te fez refletir e sentir-se uma pessoa melhor?

Sócrates elegeu como princípio uma orientação escrita no frontal do Templo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”.

Aí está, no meu entender, a grande chave que abre todas as portas, de todos os portais: quando você se conhece, domina o seu mais primitivo desejo, identifica os seus erros, os seus acertos e adquire a competência para mudar sua relação com as outras pessoas e com o mundo. Simples assim…

Simples assim? Não, nada simples, porque é claro que, inconscientemente, gostaríamos que todos fossem como nós: não haveria discussões, talvez fosse menos trabalhoso estabelecer relacionamentos.

Mas… isso seria um tédio. As oportunidades de aprender seriam poucas, e o mundo seria de uma só cor. Quer coisa mais entediante e pequena? Infelizmente, vemos isto com frequência: filhos têm que pensar igual a seus pais, mulheres igual a seus maridos, maridos igual a suas mulheres, amigos “obrigados” a pensar como seus amigos. Caso contrário, vira ofensa. As pessoas esquecem que da divergência pode nascer a sabedoria, e que amigos, quando divergem, muitas vezes estão nos apontando fatos para os quais temos ‘pontos cegos”, que não conseguimos ver e que, geralmente, são armadilhas do nosso próprio inconsciente.

A mídia social, especialmente o Facebook, vulgarizou o conceito de amizade — todo mundo é amigo. Nada disso, são apenas conhecidos, O que não é ruim, ao contrário, é muito bom termos muitos conhecidos, ouvir conceitos e ideias diferentes, conhecer novas formas de pensar, mas amigo… É OUTRA COISA.

A canção diz “Eu quero ter um milhão de amigos”. Pois eu, não. Quero ter amigos em quantidade suficiente para que eu possa cuidar da amizade, procurar, abraçar, me interessar pelo que ocorre em sua vida, ajudar quando necessário. E amar. Eu não teria tantos braços e tanto tempo para dedicar a um milhão de amigos, mas para os meus amigos tenho todo o tempo do mundo e um estoque infinito de abraços.

Feliz Dia do Amigo, a todos os que têm, realmente têm amigos. E que sabe reconhecê-los no meio da multidão de conhecidos.

 

Estelionato de si mesmo

dljul13Outro dia, num papo de amigos (ah, como gostam de filosofar esses meus amigos) conversávamos sobre liberdade.

Era um grupo bem caótico: uns eram seres pensantes (aqueles que pensam, pensam, mas não fazem); outros, seres não pensantes (os que fazem e só pensam depois); e havia outros, mais jovens, que ainda não se definiram. Por último, os “misturados”, aqueles que pensam e fazem, não necessariamente nesta ordem, porque frequentemente agem sem pensar.

A discussão, entre uma taça de vinho e outra, varou a madrugada, e quanto mais se discutia, menos nos entendíamos. Afinal, voltamos cada um para sua casa sem ter atingido consenso. Eu, de minha parte, fiquei com o pensamento em chamas.

Liberdade… Ô palavrinha mais difícil de entender na prática. Diz o dicionário que liberdade é ousadia, franqueza, nível de independência absoluto e legal de um individuo, característica de quem não se submete.

Ah, tá. Fico eu lembrando fatos e eventos que sinalizaram liberdade para a minha geração, e me detenho em apenas quatro: pílula anticoncepcional, minissaia, mais tarde o celular, a internet. Isso tudo era absurdamente impensável para a geração dos meus pais.

E o que aconteceu com esses símbolos? Vamos ver: a pílula parece que ainda vigora para quem tem um pouquinho de inteligência e de amor à própria saúde. Minissaia? Já era! Depois dela, já vieram o shortinho, as transparências, o tudo-de-fora… Celular? Quem não tem? Internet? Companhia inseparável para muitos.

— Como, você não tem celular? — eu mesma me surpreendo quando encontro alguém que não esquenta seu ouvido com um celular.

— Não tem Facebook? Hummm…

Enfim, o que seria libertador de início, passou a ser símbolo não de liberdade, mas de status, ou de modernidade. E aí, meus amigos, deixou de ser libertador para escravizar. Tudo bem que a praticidade de um celular é óbvia, mas por que cargas d’água uma pessoa que não tem celular é antiquada, se isso for sua livre escolha?

E por que alguém neste mundo tem que ficar divulgando sua vida nas redes sociais?

Mas o preconceito, sabemos nós, acontece. Já ouvi alguém dizer que “pessoas que não usam as redes sociais não têm uma vida interessante, por isso se escondem”.

E, para mim, aí está o problema. No momento em que os grupos sociais atribuem valor a alguma coisa, todos têm que “embarcar” naquela ideia, ou serão considerados antiquados.

As pessoas, cada vez mais, desfraldam bandeiras libertárias. Só que, em lugar de procurarem captar seu verdadeiro desejo, seu verdadeiro eu, procuram, isso sim, se enquadrar nas definições vigentes. E cada um, do mais moço ao mais velho, procura “parecer” livre quando se afilia ao que está estabelecido e aceito.

Gente gorda? “Puxa, faz uma bariátrica”.

Rugas? “Ora, faz um botox”.

E o mais interessante é que, na maior parte das vezes, as sugestões não são feitas a partir do critério “saúde”, mas do critério “estética”.

É inegável que todo ser humano busca a aceitação, o reconhecimento. Tudo bem! Mas por que as pessoas imaginam que serão mais bem aceitas e reconhecidas se estiverem dentro do padrão de beleza vigente para aquele grupo social?

Em nome desta aceitação, se impõem autolimitações: o que dizer, como dizer, o que ter, o que não ter. E o SER? Vai pro espaço.

Mas, se pensarmos direitinho, sabemos que cada um de nós é um ser absolutamente inédito se comparado a outro, basta ver que na multidão de seres que povoam nosso planeta, as impressões digitais nunca são iguais.

Muitos indivíduos (muitos, mesmo) esquecem até o significado de serem indivíduos, e aderem à “boiada”, praticando o estelionato de si mesmos. Nesses casos, como diz a música, “liberdade virou prisão”.

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A “Azulzinha”

Planet-Earth-seen-from-spaceÀ medida que o tempo vai passando, a maioria das pessoas — homens e mulheres — vai se disponibilizando mais para a reflexão.

Acabada a época da paixão fácil, em que julgamos que o desejo pode mover montanhas, resta-nos entender o papel que o desejo teve, tem, e ainda terá em nossas vidas, desejo de qualquer tipo, dos que nos arrebatam para ir ao encontro de sonhos, dos que nos arruínam em sua insensatez, dos que nos levam ao paraíso.

E é de paraíso que quero falar, em todos os sentidos —no real e no metafórico.

Para início de conversa, é impossível existir um paraíso sem construção. Sim, paraísos são construídos de alguma forma, não se fazem sozinhos, são lugares de prazer.

Até mesmo a palavra “paraíso”, por si mesma, já é meio afrodisíaca, nos leva à ideia de êxtase. Afrodisíaca: de acordo com a etimologia, vem de Afrodite, a correspondente à Vênus romana na mitologia grega. Deusinha mais liberada essa… Poderosa, lhe atribuem um exército de amantes:  Hermes, Adônis (que, dizem, foi o seu preferido), Dioniso e outros mais. Por sua beleza e fascínio, ficou o registro de ser a deusa do amor e da fertilidade. Não por acaso, pois uma das versões para sua origem ou nascimento, diz que, quando Cronos destronou Urano, cortou-lhe os órgãos sexuais, que, caindo no mar, deram origem a Afrodite.

Com um nascimento desses, tinha mesmo que ter essa fama toda, não acham? E a ligação entre a origem de Afrodite e o mito que ela constitui não é nenhuma coincidência. Examinando o nome dos seus filhos — Eros, Hermafrodite, Príapo e Hímen —, fica bem clara a conotação sexual que a envolve. Ora, sabemos nós que a busca do prazer sexual é eterna na história do ser humano, que a busca da potência sexual foi uma preocupação dos humanos ao longo dos tempos, e alvo de crendices, de poções mágicas, curandeirismo e charlatanice.

Há alimentos considerados afrodisíacos, como chocolate, e temperos, como pimenta, gengibre, alecrim, cravo e canela, aos quais se atribui propriedades nutrientes que estimulam a produção de hormônios sexuais e melhoram a libido.

Muita loucura se fez em busca da potencia sexual neste mundo de meu Deus, e existem diferenças nas culturas ocidental e oriental. Enquanto os ocidentais partem para a academia de ginástica, os orientais praticam o tantra e a yoga, para ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo, melhorando assim, o desempenho sexual.

“Você é o que você come”: isso vale para todos. Na abordagem ocidental, o que você come de “bom” se transforma em saúde, e o corpo absorve os elementos da comida, como carboidratos, proteína, açúcares e gorduras. Já na cultura oriental, ao ingerir um alimento, assume-se as suas propriedades energéticas, donde tanta comida exótica e “pozinhos mágicos”, desde insetos aos provenientes de sêmen de bode e do chifre de rinoceronte, o que quase causou a extinção do pobre paquiderme, não tivesse o mundo protestado e acabado com a farra. Os europeus gostaram da ideia, e descobriram que a mosca espanhola, ou cantárida — um besouro verde metálico —, quando secada ao sol vira um desses pozinhos milagrosos.

Comer ostras, dizem, garante uma performance digna de Afrodite, porque, sendo rica em zinco, ajuda na espermatogênese e contribui para a formação de testosterona.

E aí vem a grande novidade no decorrer dos tempos: enquanto, em outras eras, apenas o homem buscava artifícios, beberagens e remédios, nos dias de hoje existem estudos que apontam ser a testosterona um grande, digamos, incentivador da libido nas mulheres.

Pois é. Por isso mesmo eu recomendo que, se o seu tesão para a vida estiver meio fraquinho, pare, respire fundo, e pense na Azulzinha…

Como? Ih, você entendeu tudo errado, eu estou falando é da “Azulzinha” onde todos vivemos, e que, se dermos oportunidade, abre portas impensáveis. A Azulzinha que surpreendeu o Armstrong, lembra? Ele mesmo, o astronauta, que perdeu a fala quando viu a Terra sob outro ângulo e, gaguejando, disse: “A Terra é azul!”

Pois é nela que devemos nos inspirar, é nela que devemos pensar, é para ela que devemos dirigir nossos pensamentos num momento tão grave como o que vivemos, de homens-bomba, de guerras infindas, um mundo de homens armados, e não no sentido metafórico.

Nessa “Azulzinha” é que deveríamos construir o nosso paraíso, com a certeza de que nossa potência não vem de beberagens ou pozinhos, mas do nosso desejo, do nosso cérebro, dos nossos pensamentos. Aí está o grande poder.

Vamos pensar na “Azulzinha”, que ela está bem precisada de nós.

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Quarta história da série “Aprendendo com os Erros”

série “Aprendendo com os erros” – nº 04

Quem Tem Medo de Rejeição?

Empreendedores de variadas categorias têm dificuldade em “emplacar’ seus produtos ou projetos logo de início. Muitos deles desistem, outros continuam tentando ad eternum, outros, porém, redirecionam objetivos, fazem grandes ou pequenas correções.

Os que desistem nas primeiras tentativas claro está que não chegarão a ver realizações, coisa para perdedor “Puxa…isto não é coisa para mim, não tenho sorte, etc.

1Os que ficam eternamente tentando sem fazer um estudo de causas para rever e redirecionar planos também tendem a morrer na praia “ Meu projeto é assim e assim vai ficar, não mudo uma linha”. Outro perdedor.

Mas, existem aqueles que não se assustam diante dos primeiros fracasso, e tentam outras vezes, fazem novo estudo dos seus planos, mudam o que for preciso, mas insistem. Esses têm todas as chances, como aconteceu com:

Stephen King – mestre do terror e do suspense, que foi rejeitado 30 vezes, vivia na maior dificuldade, morava num trailer, era professor e complementava sua renda fazendo matérias free lancers para revistas masculinas . Depois da trigésima rejeição queria desistir, mas sua esposa o estimulou a continuar e ele apresentou “Carrie”…

Margareth Mitchell , autora de ‘O Vento Levou’, levou 38 recusas, na lata.

John Le Carré – autor de “O Espião que Saiu do Frio”, “O Jardineiro Fiel. Um dos editores lhe disse “Você não tem futuro”.

J.K.Rowling – teve muita dificuldade para conseguir publicar…!!!!!!!”Henry Potter”… !!!!!

Aliás, com relação à escritora, ela já era famosa quando escreveu sob o  alter-ego Robert Galbraith. O melhor é que uma das editoras aconselhou J.K. a fazer um curso de escrita…hahaha. Ela, já famosíssima, divulgou as cartas de rejeição. Vingancinha deliciosa…

Além desses, relembro aqui: Walt Disney foi demitido de um emprego por ser considerado “pouco criativo”.

E Einstein? Foi expulso de uma escola por ser considerado “lento de raciocínio”….. ? ? ? ?

E é a história de um vencedor que passo a lhes contar. Por quê?

Porque ele foi o Campeão das Rejeições.

Seu nome: JOHN CREASEY.

Nasceu em 1908 e morreu em 1973, na Inglaterra. Um dos mais populares escritores de romances policiais britânicos. Eu diria que é o Fernando Pessoa inglês, não pela semelhança de estilos, mas porque escreveu sob 28 diferentes pseudônimos.

Ah, mas não pensem que foi fácil – ele foi o campeão de rejeições por editoras, foram setecentos e quarenta e três (isto mesmo, 743). Somente na 743ª tentativa ele conseguiu publicar o seu primeiro livro. Mas depois disso, deitou e rolou, publicou quinhentos e sessenta e dois livros, dentre os quais inúmeros best sellers.

Eu gostaria de ser aquela famosa mosquinha só para ver a cara dos editores que rejeitaram…