Ah, a felicidade…

“Felicidade é um estado de espírito”, falou e disse o Dalai Lama, mas tenho para mim que muita gente ainda não acredita na afirmação, e fico bem bolada com isso.

Puxa, como é que essas pessoas não percebem que carros dão defeito, roupas saem de moda, aparelhinhos eletrônicos tornam-se obsoletos a cada três meses, enfim, que toda essa tralha supérflua e exterior tem prazo de validade, embora no momento da compra tenham sido uma fonte de prazer que parecia inesgotável?

Dito assim, parece tão óbvio, mas conheço muita gente (aposto que você também conhece) que só consegue encontrar prazer em algo visível, palpável.

Pois é… Este é o mistério da tal felicidade. Ela se esconde, se camufla, e ai de você se não tiver o espírito do Sherlock Holmes — ou, para ficar mais atual, de um Inspetor Espinoza, do Garcia-Roza, ou o até o atrapalhado Ed Mort, do Veríssimo.

É, minha gente, a felicidade é, digamos… Tímida. Não sai se mostrando por aí, nas vitrines da vida. E mais: não sai barato, não, não sai. Pior… não tem preço.

Um amigo me disse um dia, e nunca mais esqueci, que “tudo que se pode comprar sai barato”. Eis porque a felicidade é um bem tão caro. Como comprá-la? Como acionar seu hipotálamo para que providencie uma produção duradoura de endorfina, a partir de algo que, num curto espaço de tempo, pode estar mofado, ou enferrujado, ou escondido lá no fundo do armário?

Pensando bem… Endorfina vem de endo — interno — e de morfina — analgésico. Será que a endorfina é secretada apenas em momentos de “dor”? E aqui digo “dor” não com o significado usual, mas num sentido mais amplo, no sentido do desconforto, de inadaptação.

Não sei, só sei que, para mim, se a mente estiver em estado de “não paz”, de nada adianta comprar todos os carros do mundo, ter a roupa mais chique e bem transada, que o prazer não dura mais que o tempo de um sorriso — sorriso pálido, é bom que se diga… o sorriso que sai do verdadeiro prazer é um sorriso brilhante, porque não está apenas nos lábios, vem do Todo, vem da alma. Os momentos de verdadeiro e duradouro prazer podem estar nas coisas mais simples: no sorriso de alguém que você ama, numa palavra, num gesto de carinho, numa paisagem que faz seus olhos brilharem.

Clichê? Sim, um clichê… e uma verdade absoluta que você só percebe se tiver olhos e coração abertos e disponíveis. Nesse dia, o Dia da Felicidade não será apenas um mero 20 de março de um ano qualquer…

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