Leonard Cohen, o rebelde

leonardQuando Bob Dylan recebeu o Nobel, outro compositor, Leonard Cohen, também tinha sido cotado para o prêmio.

Leonard Cohen, já escritor, aprendeu sozinho a tocar violão para dar maior musicalidade à sua poesia. Fez parte da geração beat, morou no famoso Chelsea Hotel, chamado nos anos 1960 de “ninho de amor e de drogas”. Foi vizinho de Dylan, Buckowiski, Janis Joplin, dentre outros. Imaginem um terraço, provavelmente à luz de velas, com esse povo cantando e dizendo poesias… Talvez por causa desses saraus ele tenha declarado que sua ida para os Estados Unidos o libertou do academicismo literário canadense.

Seu primeiro livro foi Let us Compare Mythologies. Procurou em toda a sua obra desmistificar símbolos e mitos. Não fez concessões, só trabalhou no que escolheu. Rebelde, recusou-se a receber prêmios… “Seria negar as mensagens dos meus poemas”.

Considerava fazer poesia uma necessidade visceral, básica. Sua opinião quando da premiação de Dylan, foi a seguinte: “É como dar um prêmio ao Everest por ser a montanha mais alta”.

Devastado pela visita que fez a campos de concentração, Cohen escreveu Flowers for Hitler, um clássico sobre as personas que detinham o poder na época. Detonou geral, nem a rainha escapou.

Retirou-se para um mosteiro durante cinco anos, saiu de lá monge. Foi o autor de “Hallelujah”, uma música que atravessou o tempo até hoje. Avesso a homenagens, certa vez pediu numa entrevista: “Parem de cantar ‘Hallelujah’, por favor”.

Bom, dizem por aí que não se deve conversar com os mortos, e Cohen morreu no dia 7 deste mês. É perigoso, dizem… O defunto pode virar “encosto”. Pois eu continuo a cantar “Hallelujah”, Leonard. Pode “encostar” em mim…

Seria uma honra, um prazer… e, quem sabe, um encosto proveitoso, porque escrever como você escrevia, meu amigo, é para poucos.

Hallelujah, hallelujah, hallelujah.

 

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