Um dia de cada vez

Abelha e florÉ exatamente como naqueles programas de 12 passos: um dia de cada vez para mim, que sou viciada na vida. Um dia de cada vez para aprender pelo menos uma coisa a cada dia: eu sou assim.

Gosto disso: faço questão de aprender uma coisa a cada dia, e talvez aí resida a minha vitalidade, mesmo nos momentos em que não a desejo, não a suporto, não a tolero.

Sigo querendo aprender, mesmo que seja um novo conhecimento sobre as cores do arco-íris, ou o voo de um inseto, uma nova canção, um jeito novo de dizer frases repetidas. A propósito, ontem tive um aprendizado sobre o amor e quero registrá-lo.

O amor, quando cessa — e acredito firmemente que nem sempre tenha princípio ou meio, mas certamente tem sempre um fim, pois sei eu e sabemos todos que, ao cessar, o amor de início deixa um rastro escuro de tintas misturadas, sem que se saiba ao certo se as cores originais eram o vermelho, ou o azul, ou mesmo o cor-de-rosa. De qualquer forma, o colorido do fim do amor é sempre furta-cor, as cores se transmutam num castanho furta-cor, porque, quando sentimos que passou o amor, comumente nos sentimos furtados. E aí vem o tempo da dor, da desilusão, do sofrer. Bom, esse tempo passa tempo para passar, mas passa, e vai passando.

Até que… Oh! Surpresa das surpresas, perceber que já podemos sorrir e estar com aqueles que foram, antes, objeto vivo e pulsante do amor que acabou, e que se tornou possível até mesmo sorrir e reviver histórias passadas sem o ranço… o ranço da dor do amor que acabou. Esboço um sorriso ao ler: “A vida, sem o amor, torna-se mais simples de ser vivida” — autor desconhecido.

Estava cá refletindo sobre esta frase, quando, no mesmo instante, sinto algo voando por sobre a minha cabeça num voo rasteiro… Um inseto?

A coisa faz um zumbido barulhento, voa sobre a minha testa e pousa ameaçadora sobre meus cabelos. Zumbidamente, sopra-me ao ouvido: “E a emoção, onde fica?”

Apresso-me a responder, mas… ora, carece não! Um dia de cada vez!

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