A Palavra é Bailarina

Nesses tempos de solitude fica mais fácil percebermos o espírito da palavra, mas antes de falar sobre isso, não pense você que euzinha inventei a palavra, vivemos um tempo em que tudo que nos venha ao pensamento já foi inventado…

O absurdo, talvez?

Sim, só falta inventar o que hoje nos parece absurdo. Veja bem que tive o cuidado de acrescentar “nos parece”.

Para não ser acusada de plagiadora, esclareço que “solitude” é uma expressão usada por Paul Tillich, teólogo alemão que por motivos óbvios acabou seus dias nos Estado Unidos, e por essa razão às vezes é tido como americano.

Tillich estabelece uma diferença entre solidão e solitude.

Solitude seria como um encontro com você mesmo, um momento de entrar em contato com seu mundo interno, de perceber suas emoções. A solitude é uma escolha pessoal, enquanto a solidão muitas vezes não é. A solitude pressupõe que você tenha com quem compartilhar seu pensamento, e é isso que faço agora.

Podemos hoje viver a solitude, mas não necessariamente a solidão, já que temos tanta mídia a utilizar como ferramenta para estarmos próximos às outras pessoas.

Portanto, nosso tempo hoje – agora – poderia ser o momento ideal para ampliarmos o autoconhecimento, para vivermos a sinceridade, para, quem sabe, conhecendo melhor nosso desejo e nossas possibilidades, sermos altruístas, sermos mais preocupados com o outro.

Como já escrevi várias vezes aqui sou uma otimista. Mas sou também muito observadora do que acontece por aí.

E vejo, tristemente, que talvez as pessoas não estejam percebendo como a solitude poderia ser alavanca para o Bem. E não pensem que estou me referindo a políticos, esses estão fora de qualquer tipo de classificação, realmente eles constroem narrativas tão loucas, (todos eles, ao menos os que conheço), que tem uma lógica própria. Muito louca, muito falsa, sem propósito outro que não seja manter seus currais eleitorais.

Estou me referindo mesmo a pessoas, pessoas como eu e como você, que não percebem que podem usar a PALAVRA para acolher, valorizar e confortar o outro.

Preferem polarizar, usar a palavra enraivecida, preferem ficar discutindo se o bolinho está queimado, e esquecem de analisar se o recheio é doce ou salgado. Preferem usar a palavra enraivecida, para afastar, e não para unir. Preferem ser massa de manobra para toda essa politicada que assombra os que tem bom senso.

Certamente não sabem, estas pessoas, que uma palavra doce expressa solidariedade, é música que acalma, e que nos faz adormecer. Desconhecem que a palavra sincera é bailarina que vem dançando devagarzinho, de repente, faz um giro, volta à calma, nos mostrando através do seu ballet emocionante, como pode ser fértil esse momento-hoje-agora.

#máscara, máscara, máscara.
#a vida está aí, ao seu redor, use com sabedoria.
#tenha paciência, um dia isso acaba.

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