Dois de Novembro – Dia de quem mesmo?

Ah, Dia dos Mortos…

Até uns dois anos atrás, com certeza, eu já estaria em estado de tristeza antecipada nesse momento, ainda na véspera, portanto dia 1º de novembro. Quando escrevo essa crônica.

Nestes dois anos tive algumas mudanças, grandes mudanças, na minha vida.

Acho que acontece com todas as pessoas que não vieram a esta vida só a passeio. Não, definitivamente eu, mesmo adorando uma viagem, não vim a este mundo a passeio. Portanto, vivo (e me transformo) sem nenhum medo ou pudor, desde que obedeça à minha consciência, aos meus princípios.

E vivo mudando. Algumas mudanças o próprio tempo me convidou a fazer, outras a minha consciência me obrigou a realizar e algumas outras foram tão inconscientes que só me dei conta tempos depois.

A minha relação com os mortos foi uma delas, só me toquei de como estávamos em harmonia, eu e “meus mortos”, no dia em que falei de um deles contando uma piada que ele repetia com insistência. E neste dia eu ri novamente, como riria se ele ainda estivesse a meu lado.

“OPA!”, pensei eu…que desrespeito, como é que eu posso…, eu posso? Não… Sim, eu posso… quanto mais tentava falar, mais ria.

Gente… naquele dia eu me senti leve como a modelo magrela que volteia pelas passarelas da Vida. Eu, que estou até meio gorducha. Pois é, porque não foi o peso do corpo… Foi o peso… Ah, isso aí, você já captou minha mensagem… Foi o peso da alma.

E dali por diante o Dia dos Mortos passou a ser para mim o Dia dos Antepassados, um dia para sorrir e agradecer aos que vieram antes e me proporcionaram com sua vida, seu esforço, seu carinho, e seu amor, tanta coisa que me ajudou a construir este ser que eu sou hoje. E este ser é profundamente agradecido aos que vieram antes, aos que percorreram os caminhos em que hoje dou meus passos, às vezes firmes, às vezes trôpegos, mas que sempre seguem à frente, quando respiro fundo e lembro dos seres humanos maravilhosos que tive em minha vida.

Como ficar triste? Não, tristeza NÃO. Gratidão sempre.

 

2 comentários

  • Izabel disse:

    E não e que acabei sorrindo! Claro! Minha identificação com o texto foi imediata. Lembrando de gratidão, sempre sairá dos meus arquivos emocionais esses seres maravilhosos, aqueles que pude conviver e outros menos, mas que, também me deixaram registros indeléveis em meu ser infinito, tão infinito quanto estes amores que me antecederam na partida. Amei!

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