Aprendendo com a Vida

Dois anos atrás ninguém falava em home office. Dois anos atrás ninguém falava em distanciamento social. Dois anos atrás, no Brasil, quando se via alguém usando máscara só podia ser Carnaval.

Enfrentávamos chuvas torrenciais, calor senegalesco, engarrafamentos, ônibus, trem, metrô, BRTs entupidos de gente, alguns quase saindo pela janela… Carrinhos cheios de compras nos supermercados cheios depois do trabalho, funcionários em casa para fazer nossa comida…

De repente! TÓINNNN!

Foi como se acordássemos antes do pesadelo terminar – susto, medo, incerteza crescente, e tome terrorismo. Quanta notícia fake, de boas novas e “más” novas, quanta gente tomando cuidados consigo e com o outro e, infelizmente, quanta gente estando “nem aí”, como se fosse uma divindade acima do bem e do mal, arrogantes ou alienados totais, que não percebiam que mesmo sentindo-se protegidos, não estão.

E pior ainda, colocam em risco não somente a si, porque a vida de cada um compete ao dono decidir o que fazer com ela. Mas os “fortinhos” podiam (e ainda podem) ser agentes transmissores do vírus a pessoas que se cuidam e que tem consciência da situação.

Políticos que permaneceram no palanque o tempo todo… consciência ZERO, só enxergando mesmo o seu umbigo que na verdade é uma grande urna, parece que não conseguem o pensar aberto, apenas o pensar fechado – como a urna que recebe os votos que os elegem.

E agora? Ah, tanto tempo de tristeza, mortes, dificuldades, e pouca coisa mudou. Pouca coisa? Vamos ver:

É.. Agora, o trabalho remoto é praticamente a tônica, pessoas e corporações perceberam que reuniões podem até ser mais produtivas se realizadas no conforto do lar, além de representar uma bruta economia – para todos, para os que teriam que se deslocar gastando um tempo enorme nesses deslocamentos e para as próprias Organizações.

Delivery entrou para o dicionário e é hoje a forma de compras mais utilizada. Além disso, todo mundo virou CHEF (de cozinha, é claro).

Menos fumaça no ar, menor poluição no planeta.

Pais passam mais tempo com seus filhos, tendo que exercitar a paciência e, no caso da Escola, valorizando o trabalho dos professores… pensavam que era fácil manter uma turma de não sei quantos alunos atenta ao que era ensinado?

O convívio presencial foi substituído, passou a acontecer na maioria dos casos via Internet, e até os velhinhos se desdobraram para descobrir os mistérios cibernéticos e desvendar as possibilidades dos Zooms da vida.

Muita gente surtou – a um ponto inimaginável, o medo comandando as mentes, mas muita gente continuou na sua levada de inconsciência, e por isso estamos outra vez na estaca zero. Talvez pior ainda, porque a movimentação e o compartilhamento do vírus – dizem os especialistas – geram novas cepas que trazem dúvida até a própria vacina. Claro que esta pode não ser a dúvida dos cientistas, mas é a do povo.

Enfim tivemos todos que mudar, e a mudança para muita gente sempre é assustadora porque para adquirir novos hábitos e nova forma de pensar e de agir, temos que fazer o desmanche do que foi construído antes.

Uma verdadeira lavagem cerebral fez quem se permite ao novo. Para quem admite construir novas atitudes e comportamentos, infelizmente não se consegue construir sobre escombros, há que fazer novas fundações, há que muitas vezes, destruir o velho para construir o novo.

Não fiquem pensando que estou só vendo um lado da questão. Não, essa praga trouxe o que de pior poderia trazer, mas é preciso exercitar o raciocínio de “ver o outro lado” para seguirmos em frente.

Embora estejamos todos sofrendo com tantas mortes e tanta incerteza, os que não se permitem mudar devem estar mais alienados, outros mais assustados e sofrendo mais ainda. E é para essas pessoas que dedico a crônica de hoje, desejando que aprendam com a Vida, é nosso melhor Mestre.

# máscara – com vacina ou sem vacina
# calma, um dia isso tudo passa.

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