Fadiga Pandêmica

Claro que não é fácil para pessoa alguma manter-se em isolamento, o ser humano é gregário por natureza.

Rousseau afirmou que o primeiro instinto do ser humano é a sobrevivência e a manutenção da vida. Nos primórdios da Civilização precisava conseguir alimento, que muitas vezes era tarefa impossível se estivesse sozinho. Árvores altas demais para alcançar os frutos, animais ferozes que não conseguiam caçar sozinhos, muitas vicissitudes mostraram que quando andavam em bandos as dificuldades eram vencidas com mais propriedade.

A capacidade de produzir fogo foi que proporcionou as reuniões à volta de uma fogueira, para que – ainda se comunicando em gestos, com expressões faciais e sons – se protegessem do frio e dos animais selvagens. Nesse instante da Civilização humana desenvolveu-se a capacidade gregária do ser humano, que foi decisiva para o progresso da Ciência, das Artes e para formação dos grupos sociais.

Agora nós, em pleno terceiro milênio, temos que nos isolar. Claro que esse distanciamento que se impõe atenta contra a nossa natureza humana e agride a nossa capacidade de nos relacionar.

Diz a OMS: “A covid-19 está cobrando um alto preço emocional em toda a Europa, gerando níveis crescentes de apatia em algumas populações”.

Podemos expandir a afirmativa para o mundo inteiro. O médico Hans Henri Kluge, diretor regional da OMS para Europa, afirmou que o cansaço era esperado nessa fase da crise, pois os cidadãos fizeram enormes sacrifícios para conter o alcance do vírus, sacrifícios estes que geraram um custo emocional altíssimo, como apatia, desmotivação, cansaço.

Especialmente aos jovens, a falta de vida social e perspectivas econômicas negativas geraram a reação de fuga, o que deve talvez justificar que no momento o segmento das populações mais atingido esteja na faixa entre 18 a 39, segundo as notícias.

Compreendo a situação: as pessoas que já se realizaram profissional e socialmente estão, é claro, tão prejudicados quanto os jovens, mas resta-lhes o consolo de conhecer o que sua profissão ainda pode lhes oferecer quando a situação estiver normalizada, e teoricamente tem maior condição emocional para driblar as dificuldades da vida. Entretanto os jovens… estes vivem uma grande dúvida, por não terem tido ainda a chance de conhecer que oportunidades teriam e que dificuldades sofreriam em tempos outros.

Chego a pensar se não seria o caso de inverter esse programa de vacinação. Para mim, seria mais benéfico ao país e, em consequência, a todos nós, que os jovens que são a força de trabalho ou que estão se preparando para ser profissionais em próximos anos, fossem vacinados em primeiro lugar.

Idosos como eu poderiam manter-se em casa, não haveria necessidade de lockdown e – desde que se fizesse o distanciamento necessário, a economia poderia manter alguma saúde e não se tiraria a esperança da juventude.

Para os que ficam em casa existe hoje mil e uma formas de manter saúde e entretenimento no distanciamento social sem que o país prejudicasse tanto sua economia. Nós já sabemos o que construímos, já temos nossos grupos de amigos, e muitos ainda podem realizar sua atividade profissional em casa.

Os jovens estariam livres para a produção e as escolas estariam abertas.

Alunos e professores vacinados, e ainda usando a proteção preventiva – máscaras, e higiene e os que já deram sua contribuição, quietinhos em casa, participando dos seus grupos de amigos e protegendo-se dos jovens potenciais transmissores.

Não estou “inventando a pólvora”, a Indonésia fez isto, determinando que o grupo prioritário para vacinação seja o da faixa entre 18 e 59 anos, isto é, a maior parte da força de trabalho e de produção de conhecimento. O próprio vice-presidente Ma’ruf Amin, de 77 anos, não receberá a vacina ainda porque está fora do grupo prioritário.

Um exemplo a ser seguido? Talvez fosse uma medida mais inteligente para que o país sofresse queda menor.

# máscara hoje é artigo obrigatório na rotina das pessoas que prezam a vida e o seu semelhante.
# tenha paciência que um dia isso tudo vai melhorar.

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