Berço de Ouro. E daí?

Dia de faxina em casa… já de nariz torcido, acompanho todo o movimento e vejo minha casa de pernas para o ar – móveis arrastados, tudo em nome da limpeza, ainda mais em tempos covidianos.

Não suporto a zorra e me refugio na varanda, onde organizo a parte que me cabe neste latifúndio, os álbuns de fotos. Que coisa tão chata.

Sim, depois dos Picasas da vida perdi o hábito de ver fotos e as guardo ou no celular ou no EasyShare, que para quem não conhece é um apetrecho que armazena e, ligado na eletricidade vai exibindo as fotos ou os clips armazenados.

E me deparo com a foto da Ópera de Viena, que tirei numa das melhores viagens da minha vida, quando ainda tinha comigo o meu companheiro. Junto com a foto, o bilhete da ópera Don Giovanni, de Wolfgang Amadeus Mozart, e um livreto com dados da peça e outro sobre a vida de Mozart.

E tome recordação, muita saudade e também reflexão sobre, claro, as perdas que se sofre durante a vida e a forma que encontramos de lidar com elas.

Mas, voltando a Mozart, encontrei a foto da Mozarts Geburtshaus (traduzindo – casa onde nasceu Mozart). Lendo a biografia, relembro que o Gênio da música nasceu em berço privilegiado – seu pai era músico da Corte austríaca e sua mãe era filha do administrador de um grande castelo em Saint Gilgen, numa região próxima a Salzburg, uma cidade fofíssima, cheia daquelas casas antigas e lindas, com seus jardinzinhos bem cuidados, coisa de filme.

Pois bem, seguindo minha leitura e evocando recordações, vejo que Mozart, um dos compositores mais conhecidos e admirados pelo público de música clássica, morreu na penúria, tendo sua esposa que enterrá-lo numa cova não demarcada no cemitério local.

Pensem bem até onde vai a ironia da vida. Para seu conhecimento, naquela época ser enterrado em cova não demarcada, sem aqueles túmulos grandiosos, verdadeiras obras de arquitetura, era quase que ser enterrado como indigente.

E aí, eu penso: o que adianta alguém nascer em berço de ouro se, junto com os sonhos, não embalar um mínimo de bom senso e de visão realística da vida? De que adianta alguém ter as melhores oportunidades, conviver em círculos grandiosos, de pessoas ricas, ou famosas, se não cuida de si mesmo e administra a própria vida pensando que dias de glória podem não se eternizar?

Isso aconteceu com Mozart e com muitos outros artistas consagrados, que só consolidaram sua fama depois da morte.

Não é sem razão que se chama ao dia de hoje nem passado nem futuro, chamamos de PRESENTE.

Por essas & outras, meu lema na vida é “viva muito bem o dia de hoje porque HOJE é um presente que recebemos quando podemos acordar e dizer Bom Dia, nem que seja a si mesmo”.

# obs: essas fotos não são do meu álbum, são do Pixabay, como outras que publico e que são oferecidas gratuitamente.
# Vacina? Sim. Máscara? Ih, até quando…
# Calma, um dia isso tudo vai passar.

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